Rodovias
Kaspersky identifica 400 sites falsos usados em golpes com Free Flow
Criminosos criam páginas que imitam concessionárias e utilizam dados reais de veículos para induzir motoristas a pagar falsas cobranças via Pix
A Kaspersky identificou mais de 400 sites fraudulentos relacionados ao sistema de pedágio eletrônico Free Flow desde o início de 2026. As páginas falsas imitam sites de concessionárias e podem utilizar informações reais dos veículos, como placa e modelo, para convencer motoristas de que existem débitos pendentes e induzi-los a realizar pagamentos via Pix.
O golpe explora a forma como funciona o Free Flow, sistema que permite ao veículo passar por pórticos instalados nas rodovias sem precisar parar em uma praça de pedágio. A identificação é feita por câmeras, sensores e leitores de tags, e a cobrança ocorre posteriormente.
A fraude geralmente começa quando o motorista pesquisa na internet como consultar ou pagar uma tarifa. Entre os resultados podem aparecer anúncios patrocinados que levam a páginas falsas. Os links também podem ser divulgados por redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mails e SMS.
Ao acessar o site fraudulento, o usuário é orientado a informar a placa do veículo. A página pode apresentar dados verdadeiros e, em seguida, indicar um suposto débito, geralmente acompanhado de um valor que parece compatível com uma tarifa de pedágio. O motorista é então direcionado para uma página de pagamento, normalmente via Pix.
O dinheiro, porém, não é destinado à concessionária responsável pela rodovia, mas à conta controlada pelos criminosos.
Como evitar o golpe
Um dos principais cuidados é não confiar automaticamente no primeiro resultado apresentado por mecanismos de busca. A recomendação é identificar qual concessionária administra o trecho utilizado e acessar diretamente o site ou aplicativo oficial da empresa.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) alerta que não existe uma plataforma única que reúna todos os débitos do Free Flow. Cada rodovia possui seus próprios canais oficiais para consulta e pagamento.
Cobranças recebidas por WhatsApp, SMS, e-mail ou outros meios também devem ser verificadas. Links, QR Codes e mensagens que pressionem o motorista a fazer um pagamento imediato podem ser sinais de fraude.
Antes de realizar qualquer pagamento, é importante verificar:
se o site pertence à concessionária responsável pela rodovia;
se o endereço eletrônico é realmente oficial;
se o débito aparece nos canais oficiais da empresa;
quem é o destinatário do Pix;
se existem erros de português ou informações inconsistentes na página.
Mesmo que o site apresente a placa correta e um valor aparentemente normal, essas informações não garantem que a cobrança seja verdadeira.
Como funciona o Free Flow
O Free Flow elimina a necessidade de praças físicas e cancelas. Os veículos são identificados por pórticos equipados com câmeras, sensores e leitores de tags.
Quem utiliza uma tag tem a tarifa cobrada automaticamente. Já os motoristas sem o dispositivo precisam consultar e pagar o valor pelos canais disponibilizados pela concessionária responsável pelo trecho.
Segundo a ANTT, de forma geral, o usuário sem tag tem até 30 dias para regularizar a tarifa. O prazo, entretanto, pode variar conforme as regras aplicáveis a cada trecho.
O que fazer se cair no golpe
Quem fizer um pagamento em um site falso deve entrar em contato com o banco imediatamente e informar que a transação foi fraudulenta. No caso de Pix, é possível solicitar à instituição financeira a abertura do procedimento de devolução previsto para casos de fraude.
Também é importante guardar comprovantes, capturas de tela, endereço do site, mensagens recebidas e os dados da conta que recebeu o dinheiro.
A vítima deve registrar um boletim de ocorrência e comunicar a concessionária responsável pela rodovia. A fraude também pode ser denunciada às autoridades competentes e aos órgãos de defesa do consumidor.