Brasil Export
Anastasia aponta falta de planejamento como desafio para infraestrutura
Ministro do TCU afirma, em encontro da ABDInfra, que ausência de projetos estruturados dificulta investimentos de longo prazo, definição de riscos e avanços no setor
A necessidade de ampliar o planejamento e a segurança jurídica para projetos de infraestrutura esteve entre os principais temas do primeiro encontro da Academia Brasileira de Direito da Infraestrutura (ABDInfra), realizado nesta quarta-feira (19), na Casa Brasil Export, em Brasília. A reunião contou com a participação de representantes do Judiciário, do Executivo e do setor empresarial para discutir questões jurídicas e regulatórias relacionadas ao desenvolvimento do setor no país.
Participaram do encontro o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Antonio Anastasia, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e presidente da ABDInfra, Breno Medeiros, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, e o CEO do Grupo Brasil Export e diretor-executivo da Academia, Fabrício Julião.
Criada com a proposta de aproximar o conhecimento jurídico das demandas concretas da infraestrutura, a ABDInfra busca promover debates e formular sugestões para o aprimoramento de políticas públicas, da regulação e do ambiente de investimentos no país. A instituição foi fundada oficialmente em abril, em parceria com o Grupo Brasil Export, e tem sua sede na Casa Brasil Export.
Durante o encontro, Antônio Anastasia destacou que a missão da Academia é discutir temas relevantes e apresentar sugestões à administração pública e ao Congresso Nacional, contribuindo para avanços no setor.
“Nosso propósito é discutirmos temas relevantes e que possamos apresentar sugestões à administração pública, ao Congresso Nacional, para avançarmos positivamente. O objeto central da nossa Academia é o direito da infraestrutura. Direito todos nós conhecemos e infraestrutura é idem. O tema que me foi ofertado aqui foi a relação da infraestrutura”, afirmou.
A partir dessa perspectiva, Anastasia apontou o planejamento como um dos principais desafios para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira. Segundo ele, não é possível pensar em obras, contratos e investimentos de longo prazo sem uma visão estruturada sobre o futuro.
“E como falar em infraestrutura, que são obras, contratos, investimentos de longo prazo, de longa maturação, sem termos planejamento? Então, infelizmente, o primeiro nosso passo será combater a falta de planejamento. É muito fácil falar, muito difícil fazer”, disse.
Para o ministro, a ausência de planejamento não é apenas uma questão administrativa, mas também cultural. “A falta de planejamento refere-se, na minha opinião, ao primeiro grande problema que nós temos de enfrentar, que é uma questão cultural. Não há planejamento e não há projetos, com a ausência de projetos nós temos dificuldade de fazer matriz de risco e todas as dificuldades se uniram para que haja de fato uma perplexidade para nós termos uma consolidação no governo e no setor privado”, acrescentou.