Portugal
UE suspenderá compra de carnes do Brasil a partir desta quinta
Bloqueio às compra de carnes bovina e de aves, de mel e de pescados oriundos do Brasil passa a valer a partir de 3 de setembro. Comissão Europeia não se satisfez com argumentos apresentados pelo país
A União Europeia vai suspender a compra de carnes bovina e de aves oriundas do Brasil a partir desta quinta-feira, 3 de setembro. Foi o que informou a Comissão Europeia nesta segunda (31 de agosto), alegando que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento de suas normas.
Segundo o eurodeputado irlandês Ciaran Mullooly, o bloqueio das importações de carnes brasileiras vai ocorrer apesar dos apelos de Brasília para reverter ou prorrogar a data de entrada do bloqueio aos produtos. Além da carne bovina, serão proibidas as compras de carnes de aves, ovos, mel, tripas e pescados de origem brasileira.
“É oficial: a carne bovina brasileira sai do menu a partir de quinta-feira, na Irlanda e na Europa. A Comissão Europeia confirmou-me que questões de segurança alimentar não foram resolvidas”, escreveu o eurodeputado em suas redes sociais.
O Brasil foi retirado, em maio último, de uma lista de países que cumprem as regras da União Europeia sobre o uso de antibióticos na produção pecuária, em meio à pressão dos produtores europeus depois da assinatura do acordo de livre comércio com os países do Mercosul.
A Comissão Europeia justificou a exclusão do Brasil da lista de fornecedores de carnes por considerar que o país não cumpre as exigências relacionadas com o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
Setor privado
Em julho, documentos oficiais revelados com exclusividade pela agência Lusa mostraram que o governo brasileiro atribuiu parte da responsabilidade pela exclusão do Brasil da lista europeia ao setor privado.
Em resposta ao Congresso Nacional, o Ministério da Agricultura e Pecuária afirmou que a adaptação às novas exigências sanitárias definidas pela UE dependia, “em grande medida”, das empresas brasileiras.
O documento cita que, ao longo de três anos, o governo brasileiro enviou diversos ofícios, promoveu reuniões técnicas e pediu repetidamente que as entidades do setor apresentassem propostas capazes de atender às exigências estabelecidas pela UE.
Os documentos consultados pela Lusa revelam ainda que a autoridade europeia criticou a “recorrente falta de informações completas” enviadas pelo governo brasileiro entre 2023 e 2026. Procurado, o Ministério de Agricultura e Pecuária não se manifestou.
Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link.