Rodovias
Transporte chega a 2,95 milhões de empregos formais
Setor cria 73.967 postos de trabalho no primeiro semestre, com liderança do transporte rodoviário de cargas e maior participação de mulheres e jovens nas novas vagas
O setor de transporte encerrou o primeiro semestre de 2026 com 2,95 milhões de empregos formais ativos, o maior estoque já registrado no período e 3,4% acima do observado em junho do ano passado. O resultado aproxima o setor da marca de 3 milhões de trabalhadores, mas reúne desempenhos distintos entre as atividades.
Os dados fazem parte do Panorama CNT do Emprego no Transporte, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e atualizado até junho. No acumulado do primeiro semestre, o setor abriu 73.967 postos de trabalho, ante 72.693 no mesmo intervalo de 2025, crescimento de 1,8%.
O saldo resultou de 791.912 admissões e 717.945 desligamentos. As contratações aumentaram 4,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado, enquanto as demissões avançaram 5,2%. Depois de fechar janeiro com a perda de 4.740 vagas, o transporte obteve resultados positivos nos cinco meses seguintes. O melhor desempenho ocorreu em março, com 25.443 novos postos.
Em junho, foram abertas 16.217 vagas, número 91,55% superior ao saldo de 8.466 empregos registrado no mesmo mês de 2025 e 138,1% maior que o resultado de maio. Foram contabilizadas 133.884 admissões, alta anual de 12,44%, e 117.667 desligamentos, crescimento de 6,39%.
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, os números demonstram a capacidade do transporte de gerar oportunidades de trabalho.
“O avanço do emprego no transporte mostra a força e a relevância do setor para a economia brasileira. Chegar a quase 3 milhões de empregos formais e, ao mesmo tempo, registrar uma aceleração expressiva das contratações demonstra que o transporte continua gerando oportunidades e sustentando atividades econômicas em todo o país”, afirmou.
Rodoviário de cargas lidera
Responsável por quase metade dos empregos formais do transporte, o transporte rodoviário de cargas terminou junho com 1.381.681 trabalhadores. O estoque cresceu 4,28% em 12 meses, com a criação de 44.911 vagas no primeiro semestre — 26,21% acima do saldo obtido de janeiro a junho de 2025.
O segmento respondeu por cerca de 61% dos postos abertos pelo setor no semestre. A expansão reforça o peso da atividade na movimentação de mercadorias, no abastecimento e no funcionamento das cadeias produtivas do país.
O armazenamento e as atividades auxiliares dos transportes tinham 586.558 empregados ao fim de junho, alta anual de 4,5%. O saldo de 13.560 vagas no semestre, porém, ficou 33% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. No transporte rodoviário urbano de passageiros, o estoque avançou 0,8%, para 448.943 trabalhadores, enquanto a geração de vagas recuou 9,7%, para 11.322.
Entre as maiores expansões proporcionais do estoque estão o transporte rodoviário de passageiros por fretamento, com alta de 9,1%, e o transporte aéreo de passageiros, com avanço de 6,2%. A aviação de passageiros abriu 1.891 postos no semestre, mais de 12 vezes o saldo de igual período de 2025. O transporte metroferroviário criou 1.136 vagas, alta de 190,5%.
Na direção oposta, correios e outras atividades de entrega perderam 4.540 postos no semestre e tiveram redução de 3,7% no estoque. O transporte rodoviário de passageiros de longo curso fechou 1.797 vagas.
Mulheres ganham espaço
As mulheres ocupavam 601.090 empregos formais no transporte em junho, o equivalente a 20,38% do estoque do setor. A participação feminina foi bem maior no saldo mensal: elas preencheram 7.433 das 16.217 novas vagas, ou 45,83% do total. Entre os homens, foram criados 8.784 postos.
Os jovens também tiveram peso relevante na expansão. A faixa de 18 a 24 anos respondeu por 8.680 vagas em junho, mais da metade do saldo mensal. Houve resultado positivo entre trabalhadores de até 17 anos e nas faixas de 25 a 49 anos. Já os grupos de 50 a 64 anos e de 65 anos ou mais perderam 217 e 561 postos, respectivamente.
São Paulo
São Paulo encerrou junho com 982.390 empregos formais no transporte, cerca de um terço do total nacional. O estado também liderou a geração de postos no mês, com 9.377 vagas, o equivalente a 57,8% do saldo do país.
Os maiores estoques depois de São Paulo estavam em Minas Gerais, com 301.321 trabalhadores; Rio de Janeiro, com 277.907; e Paraná, com 208.390. Na criação de vagas em junho, vieram em seguida Rio de Janeiro, com 1.120; Paraná, com 1.075; e Bahia, com 896.
O Sudeste reunia 1.640.723 empregos no transporte em junho, ou 55,6% do estoque nacional. O Sul aparecia em seguida, com 551.333 postos e participação de 18,7%.