Portugal
Brasil e Angola entre os cinco países que mais cresceram no 2º tri de 2026
O Produto Interno Bruto brasileiro teve incremento de 0,5% entre abril e junho, o quinto melhor desempenho entre 63 economias avaliadas. Angola, por sua vez, teve alta de 0,7%, na terceira posição
Brasil e Angola, que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estão entre as cinco economias que registraram os maiores crescimentos no segundo trimestre de 2026 ante os três meses imediatamente anteriores, segundo ranking elaborado pela agência de classificação de risco brasileira Austin Rating.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 0,5% entre abril e junho, situando-se na quinta posição do levantamento. Já Angola, com alta de 0,7%, ficou na terceira posição. A liderança coube à Irlanda, com incremento de 1%, seguida da Indonésia, com avanço de 0,9%. O quinteto inclui a Malásia, com subida de 0,6% do PIB, na quarta posição.
A Austin Rating ressalta que o crescimento econômico mundial foi fortemente afetado, no segundo trimestre deste ano, pela guerra no Oriente Médio, que dá sinais de estar longe do fim, cujo resultado foi a disparada dos preços do petróleo.
Na média, o aumento do PIB global no período, quando comparado aos primeiros três meses de 2026, foi de apenas 0,2%. Já o avanço médio dos BRICS, acrônimo que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, ficou em 0,3%.
Famílias endividadas
É importante ressaltar, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a economia brasileira registrou desaceleração do primeiro para o segundo trimestre do ano — de 1,1% para 0,5%. E a principal razão para isso foi a queda do consumo das famílias, de 0,4%, devido ao elevado nível de endividamento dos lares brasileiros.
O PIB do Brasil conseguiu manter um bom desempenho, a ponto de se situar entre as cinco economias com maior avanço no mundo, graças ao bom resultado do agronegócio, com alta de 2,8% entre abril e junho, e aos gastos do governo, que subiram 0,4%. Já a indústria teve alta de 0,1%, os serviços, de 0,2%, e a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos), de 1,2%.
No primeiro trimestre do ano, mesmo com o salto maior do PIB, o Brasil havia ficado na sexta colocação entre os países avaliados pela Austin Rating. Para o governo brasileiro, ainda que tenha havido desaceleração do PIB no segundo trimestre, o incremento de 0,5% deve ser comemorado, uma vez que o país ficou à frente dos Estados Unidos (alta de 0,4%), do México (0,3%) e da China (0,2%). Isso, mesmo com os juros nas alturas no período, em torno de 14% ao ano.
No ano, perda de força
Na avaliação do governo e de analistas, a desaceleração da economia brasileira tenderá a continuar nos próximos dois trimestres, ainda impactada pelo endividamento das famílias — o consumo dos lares representa dois terços do PIB do Brasil. A Austing Rating projeta crescimento para o ano todo de 1,7%, abaixo do 1,9% indicado pela média do mercado financeiro por meio da pesquisa Focus, do Banco Central.
O ranking elaborado pela agência de classificação de risco, por sinal, já aponta o impacto da perda de fôlego da economia brasileira na comparação anual do PIB. Nos 12 meses terminados em junho deste ano, o incremento da atividade foi de 2%, o que deixou o Brasil na 37ª colocação entre as 63 economias avaliadas. Nesta base de comparação, Taiwan liderou, com alta de 12,9%.
Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link.