Portugal
Polícia fecha protocolo com associações de imigrantes para “humanizar” aeroportos
Pessoal recrutado pelas associações está sendo treinado para dar suporte aos viajantes desde o momento em que saem dos aviões até chegarem às áreas de imigração para reduzir tempo de espera
A Polícia de Segurança Pública (PSP) assinou um protocolo como associações que atuam com imigrantes com o objetivo de “humanizar” os aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Pessoas contratadas por essas entidades estão sendo treinadas para receber os viajantes estrangeiros que desembarcam nos terminais logo na saída dos aviões e conduzi-los até as áreas reservadas à imigração. O objetivo é prestar informações para que, quando os passageiros chegarem às áreas de coleta de biometria e de fotos, não haja dúvidas.
A expectativa da PSP é de que, com esses procedimentos, o tempo de espera nas filas da imigração seja mínimo, ao contrário do que se tem visto, sobretudo, no aeroporto de Lisboa, onde a demora para passar pelas áreas de imigração já chegou a seis horas. Segundo apurou o PÚBLICO Brasil, há uma preocupação grande do Governo de Portugal para que a parceria entre a PSP e as associações de imigrantes ajude a melhorar a imagem dos aeroportos do país, hoje negativa, que já impacta o turismo.
Até o final de agosto, o protocolo firmado com as associações estava sob responsabilidade da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), mas os resultados apresentados ficaram aquém do que pretendia o Governo. O que se percebeu, no entender de quem teve acesso aos procedimentos, foi uma descoordenação entre os órgãos envolvidos. Agora, dizem as fontes ouvidas pelo PÚBLICO Brasil, tudo está sendo tocado de forma mais transparente e sob total controle da PSP.
Mais brasileiros
Pelo que foi acertado entre a polícia e as associações, a maior parte das pessoas que vão atuar nos aeroportos será de imigrantes, para que possa haver um entendimento melhor das demandas de quem está chegando ao país, muitas vezes, de voos longos. Cansados, os viajantes não querem ser submetidos a longas esperas, sem atendimento adequado, sem as explicações básicas sobre o sistema de imigração, que será totalmente eletrônico a partir de 6 de setembro, como já avisou o primeiro-ministro da Portugal, Luís Montenegro.
O pessoal disponibilizado pela PSP vai indicar, por exemplo, em que posição colocar os passaportes nos totens que fazem a leitura eletrônica dos documentos. Também vai avisar que os viajantes não podem estar usando chapéu ou óculos escuros na hora de fazerem as fotos para o cadastro biométrico. Todos esses detalhes serão repassados aos viajantes ao longo do trajeto até os balcões onde ficam os agentes da PSP.
Durante as negociações com as associações, a PSP pediu que houvesse brasileiros nas equipes, pois se percebeu, ao longo da avaliação do protocolo assinado com a AIMA, que muitos cidadãos oriundos do Brasil apresentavam dificuldades para entender o português de Portugal, o que não ocorre com os viajantes da África lusófona. Também do lado português há dificuldades para compreender os brasileiros que têm sotaques mais carregados. Tudo, como dizem as fontes ouvidas pelo PÚBLICO Brasil, é aprendizado.
A PSP, que, procurada pela reportagem, não deu mais detalhes sobre o protocolo firmado com as associações de imigrantes, tem deixado claro, nos treinamentos do pessoal de apoio, que, em nenhum momento, eles podem se posicionar como agentes de segurança, pois isso cabe aos policiais que estão nos terminais. Não podem sequer tocar nos passaportes dos viajantes. É uma forma de evitar qualquer incidente com os passageiros. Promo
Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link.