Mineração
USA Rare Earth conclui compra da Serra Verde por US$ 2,8 bi
Operação em Goiás passa a integrar estratégia da empresa americana para formar uma cadeia de terras raras e ímãs permanentes fora da China
A USA Rare Earth concluiu a compra da Serra Verde, produtora de terras raras instalada em Minaçu (GO), e incorporou a operação brasileira à estratégia de construir uma cadeia integrada de minerais e ímãs permanentes fora da China.
O fechamento da transação ocorreu na quinta-feira (3) e foi comunicado pela companhia no dia seguinte. Com a aquisição, a Serra Verde passa a fazer parte da plataforma global da empresa americana, que pretende atuar desde a mineração e o processamento dos minerais até a produção de metais, ligas e ímãs.
A Serra Verde opera a mina Pela Ema e é atualmente a única produtora de terras raras em escala comercial no Brasil. Segundo a USA Rare Earth, o ativo também é a única operação fora da Ásia capaz de produzir em escala neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, quatro elementos usados na fabricação de ímãs permanentes.
O acordo havia sido anunciado em abril. A operação envolveu a aquisição de 100% da SVRE Holdings, controladora da Serra Verde, por US$ 300 milhões em dinheiro e 126,8 milhões de ações da USA Rare Earth. Com base na cotação dos papéis da companhia na época, a transação foi avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões.
A parcela paga em ações precisou passar pela aprovação dos acionistas da empresa americana antes da conclusão do negócio.
Com a compra concluída, a USA Rare Earth também atualizou as perspectivas para a operação em Goiás. A Serra Verde está finalizando um programa de otimização e comissionamento da mina, com aumento gradual da produção ao longo do terceiro trimestre.
A primeira fase do projeto prevê capacidade de aproximadamente 4 mil toneladas por ano de óxidos totais de terras raras até o fim de 2026.
Uma segunda etapa de expansão já está em construção e deverá elevar a produção média anual para cerca de 6,4 mil toneladas. O início do comissionamento dessa fase está previsto para ocorrer dentro dos próximos 12 meses.
A operação brasileira deverá ocupar papel central na estratégia da USA Rare Earth de garantir fornecimento de matérias-primas para uma cadeia integrada de terras raras fora da China, com foco principalmente na produção de insumos destinados a ímãs permanentes.
Financiamento
A aquisição também está ligada a uma estrutura de financiamento com apoio do governo dos Estados Unidos. Em agosto, a USA Rare Earth anunciou a capitalização de US$ 1,55 bilhão de um veículo de propósito específico relacionado à compra da produção da Serra Verde.
Desse total, US$ 750 milhões têm origem no Departamento de Guerra dos Estados Unidos. A estrutura foi montada para assegurar uma fonte de suprimento para a cadeia americana de terras raras e reduzir a dependência de fornecedores asiáticos.
Com isso, a produção extraída em Goiás deverá ser integrada aos planos da companhia para processamento, fabricação de metais e ligas e produção de ímãs permanentes em mercados fora da China.
Mudança de comando
O fechamento da aquisição também provocou mudanças na liderança da USA Rare Earth. Thras Moraitis, que comandava a Serra Verde, assumiu a presidência da companhia americana e passou a integrar o conselho de administração.
Moraitis também assumirá o cargo de diretor-presidente da USA Rare Earth a partir de 1º de outubro.
Com a incorporação da Serra Verde, a companhia americana amplia sua presença na etapa de mineração e passa a controlar um ativo já em produção, num momento em que Estados Unidos e outros países buscam diversificar as cadeias de suprimento de minerais considerados estratégicos.