Comércio exterior
Itália está aberta ao diálogo após UE vetar carne brasileira
Antonio Tajani, ministro italiano das Relações Exteriores, está no Brasil e disse que seu país tem interesse em eliminar barreiras “extra-aduaneiras” para facilitar o comércio
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse nesta quarta-feira, 9, que seu país trabalhará “sempre” pela eliminação de barreiras “extra-aduaneiras” e pela facilitação do comércio, ao comentar a decisão da União Europeia de suspender as importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil.
Segundo Tajani, a solução ao entrave deve vir pela via diplomática e técnica, e não por escalada política. “Os problemas se resolvem com o diálogo. Estamos aqui para dialogar”, afirmou o chanceler.
Ele acompanha uma missão de 100 empresas italianas, que chegou nesta quarta ao Brasil após passagem pela Argentina.
A União Europeia suspendeu oficialmente as compras de carne do Brasil, com bloqueio em vigor desde 3 de setembro, citando critérios sanitários relacionados às regras de controle e uso de antimicrobianos na pecuária. Tajani, que também é vice-primeiro-ministro no governo de Giorgia Meloni, reconheceu que divergências em regras sanitárias podem criar obstáculos, mas prometeu trabalhar para que os problemas sejam resolvidos.
Demonstrando confiança em uma solução pragmática, o ministro disse que a Itália pode atuar como facilitadora, desde que dentro do marco regulatório do bloco europeu.
“Se pudermos dar uma mão ao Brasil, o faremos sempre respeitando as regras europeias”, declarou Tajani durante entrevista concedida à imprensa antes da abertura de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Grupo de trabalho
Tajani disse que o Brasil está no centro do esforço italiano de diversificação de mercados e expansão das exportações. Esse objetivo, ressaltou o chanceler, deve ser impulsionado pelo acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
Tajani participou de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que também contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa.
Como medida prática para sustentar o crescimento e impulsionar o comércio bilateral, Tajani anunciou a criação de um grupo de trabalho com o governo brasileiro, que deve se reunir a cada ano
Antes da abertura do evento na Fiesp, ele disse a jornalistas que a missão composta por 100 empresas italianas é a maior desde a assinatura do acordo e busca transformar em “ações concretas” a decisão europeia, “fortemente apoiada pela Itália”, de aprovar o pacto com o bloco sul-americano.
Também vice-primeiro-ministro no governo de Giorgia Meloni, Tajani destacou o tamanho da delegação como sinal político e econômico da prioridade dada à região e, em especial, ao mercado brasileiro. O ministro ressaltou que nos últimos anos o intercâmbio comercial entre Itália e Brasil teve um aumento de 55,7%.
Otimismo
Segundo ele, a perspectiva é de continuidade do avanço. “A tendência nos diz que continuaremos a crescer nos próximos anos, pelo menos em cerca de 4% a cada ano”, disse o ministro, acrescentando que nos primeiros meses após o acordo a corrente comercial – soma das exportações e importações – já teve crescimento de 22%.
No pano de fundo, o chanceler conectou a agenda com o objetivo macroeconômico do governo italiano de ampliar o peso das exportações, que hoje já representam algo entre 30% e 40% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo Tajani, a meta no curto prazo é elevar as exportações do país para 700 bilhões de euros, saindo de um montante próximo a 650 bilhões de euros.