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Rodovias

Acidentes com caminhões crescem 4,7% nas rodovias federais

Atualizado em: 12 de September de 2026 às 8:44
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Ocorrências chegaram a 7.787 até maio; Norte teve maior avanço proporcional, enquanto Sudeste concentrou o maior número de registros

Os acidentes envolvendo caminhões nas rodovias federais brasileiras cresceram 4,7% nos cinco primeiros meses de 2026. Foram registradas 7.787 ocorrências entre janeiro e maio, contra 7.439 no mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) elaborado a partir de dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

O avanço ocorre em um setor que concentra parcela expressiva do transporte de mercadorias no País. De acordo com a CNseg, o modal rodoviário responde por quase 70% da movimentação de cargas medida em tonelada-quilômetro útil (TKU), o que amplia os efeitos de acidentes sobre entregas, operações logísticas e cadeias produtivas.

Os números apresentam diferenças importantes entre as regiões. O Sudeste registrou 2.339 acidentes até maio e permaneceu como a região com maior volume absoluto, praticamente estável em relação a 2025, com alta de 0,39%. O maior crescimento proporcional ocorreu no Norte, onde as ocorrências passaram de 462 para 545, aumento de 17,97%.

A diferença também aparece na gravidade dos acidentes. No Amazonas, foram contabilizadas 37,7 mortes para cada 100 acidentes com vítimas envolvendo caminhões, maior proporção registrada no painel da CNT. No Pará, o índice chegou a 29,6 mortes e, em Roraima, a 28. Em comparação, São Paulo registrou 5,5 mortes a cada 100 acidentes com vítimas, enquanto o Rio de Janeiro teve 6,2 e o Espírito Santo, 6,9.

Os efeitos também aparecem no mercado de seguros. No primeiro semestre deste ano, as indenizações do seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C) atingiram R$ 634,2 milhões, crescimento de 2,3%. A modalidade cobre perdas ou danos sofridos pelas mercadorias em decorrência de acidentes durante o transporte.

Frota envelhecida

Outro ponto acompanhado pelo setor é a idade dos veículos. Segundo a CNseg, cerca de 500 mil caminhões com mais de 25 anos continuam em circulação no Brasil. Para a entidade, veículos mais antigos tendem a ter menor presença de tecnologias de frenagem e monitoramento disponíveis em modelos recentes e exigem atenção maior à manutenção.

O presidente da Comissão de Transportes da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Marcos Siqueira, afirma que falhas mecânicas também podem afetar diretamente a operação logística, ao exigir interrupção da viagem, transbordo da mercadoria e reprogramação da entrega. A avaliação da entidade associa a renovação da frota ao gerenciamento dos riscos do transporte, sem apontá-la isoladamente como causa dos acidentes.

O mercado de caminhões novos, entretanto, ainda não recuperou o nível do ano passado. De janeiro a agosto, foram emplacadas 68.819 unidades, contra 72.259 no mesmo período de 2025, queda de 4,76%, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Em agosto, houve reação na comparação anual: os 9.603 caminhões licenciados representaram crescimento de 9,05% sobre o mesmo mês de 2025.

Na avaliação do presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, existe uma necessidade estrutural de renovação da frota, mas a decisão de compra depende também das condições de financiamento, do nível dos fretes e dos custos operacionais do transportador.

Novas regras

O aumento dos acidentes ocorre também em um período de mudanças nas regras de proteção das operações rodoviárias. Desde 1º de julho, transportadores precisam comprovar a contratação dos seguros obrigatórios previstos na Lei nº 14.599/2023 para inscrição e manutenção do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).

Além do RCTR-C, são exigidos o seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RC-DC), destinado a perdas relacionadas a roubo e furto, e o de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V), voltado a danos corporais e materiais causados a terceiros. As apólices devem estar vinculadas a um Plano de Gerenciamento de Riscos.

A CNseg estima crescimento de 2,9% no seguro de transporte em 2026. No primeiro semestre, o segmento arrecadou R$ 2,9 bilhões em prêmios. Segundo a entidade, a expectativa é de aumento das contratações na segunda metade do ano com a entrada em vigor das novas exigências para os transportadores.

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