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Frete marítimo pressiona rentabilidade de mineradoras e ameaça competitividade
Tarifas de navios capesize nas rotas Brasil-China chegam a US$ 40 por tonelada, enquanto déficit de capacidade deve persistir até 2028 ou 2029
O forte avanço nos custos do frete marítimo internacional para commodities a granel transformou-se no principal gargalo rentabilidade das mineradoras globais. Segundo relatório elaborado pelos analistas Marcio Farid, Emerson Vieira e Henrique Marques, do banco Goldman Sachs, a alta das tarifas de transporte reduziu os preços recebidos pelos exportadores nos portos de origem (valor FOB) aos níveis mais baixos registrados desde 2018.
Embora a cotação do minério de ferro entregue na China tenha mantido relativa estabilidade no patamar dos US$ 100 por tonelada, os fretes cobrados pelos navios da classe capesize mais que dobraram em relação à média da última década nas rotas estratégicas Brasil-China (chegando a US$ 40/t) e Austrália-China (na casa dos US$ 20/t). A alta no custo do frete penaliza diretamente a competitividade do produto brasileiro em relação ao concorrente australiano, cuja distância geográfica até os portos asiáticos é significativamente menor.
A Goldman Sachs calcula que o mercado global de navios capesize opera com um déficit estrutural de 3 milhões a 5 milhões de toneladas por mês em capacidade de transporte, uma oferta reduzida diante da alta demanda. E esse aperto não deve se equilibrar antes de 2028 ou 2029. E ainda há movimentações de mercado diminuindo ainda mais a disponibilidade do serviço de transportes, como a forte demanda pelo transporte de bauxita na Guiné e o início gradual das operações do projeto de minério de ferro de Simandou, no oeste africano. Outros fatores que pressionam a alta do frente são o o aumento nos preços do bunker (combustível marítimo) e os sucessivos tufões no Sudeste Asiático, que forçaram as armadoras a reduzirem a velocidade de navegação, estendendo o tempo de viagem das rota transoceânicas.
A combinação de minério entregue na China a US$ 100/t com frete de US$ 40/t torna a operação inviável para trechos dependentes do mercado spot, segundo análise da Goldman Sachs. Estimativas do banco apontam que entre 50 milhões e 70 milhões de toneladas anuais de minério produzido no Brasil operam atualmente no limite do ponto de equilíbrio (o break-even). Nessa avaliação, a Vale se mostra menos exposta, pois 90% a 95% dos embarques de 2026 e 80% de 2027 estão cobertos por contratos de longo prazo. Já a CSN Mineração está mais vulnerável, por não contar com hedge ou proteção contratual de frete.