Portos
Terminal de celulose ganha nova etapa no Porto do Rio Grande
Contrato de cessão da área foi firmado nesta sexta-feira para empreendimento com dois berços para navios e dois para barcaças
A implantação de um novo Terminal de Uso Privado (TUP) no Porto do Rio Grande avançou nesta sexta-feira (11) com a assinatura do contrato de cessão da área onde será instalado o empreendimento. O documento foi firmado entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) e a Terminal Rio Grande do Sul S.A.
A formalização representa mais uma etapa do processo iniciado em janeiro, quando o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) assinaram o contrato de adesão que autoriza a exploração da instalação portuária.
O projeto prevê a construção de dois berços para navios e outros dois destinados a barcaças, além de um armazém com capacidade estática para 194 mil toneladas de celulose. A estimativa é de que o terminal tenha capacidade para escoar aproximadamente 5 milhões de toneladas do produto por ano.
A estrutura fará parte do sistema logístico associado ao Projeto Natureza, da CMPC, que inclui a implantação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro (RS) e as instalações necessárias para o transporte da produção até o Porto do Rio Grande.
O modelo previsto para o terminal combina transporte hidroviário, armazenagem e embarque marítimo. A celulose deverá chegar à instalação por hidrovia, ser armazenada no complexo e posteriormente transferida para navios destinados à exportação.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a integração entre a produção industrial e a infraestrutura portuária é necessária para acompanhar o aumento da atividade econômica e ampliar as condições de escoamento.
“Um projeto dessa dimensão exige planejamento e segurança para que cada etapa avance de forma coordenada. É papel do poder público criar as condições para que a infraestrutura acompanhe as necessidades do setor produtivo, com segurança operacional e responsabilidade ambiental”, afirma.
Integração hidroviária
A implantação do terminal também deverá ampliar a utilização das hidrovias gaúchas no transporte de cargas destinadas ao Porto do Rio Grande. A proposta é conectar a nova unidade industrial da CMPC diretamente à infraestrutura portuária por meio da navegação interior, reduzindo etapas rodoviárias no deslocamento da produção até o embarque marítimo.
O projeto avança em paralelo às iniciativas do Governo Federal para recuperação e qualificação da infraestrutura hidroviária do Rio Grande do Sul. O MPor trabalha em ações voltadas à navegabilidade, segurança e regularidade das rotas utilizadas pelo transporte de cargas.
“O Brasil precisa utilizar melhor suas hidrovias, e o Sul do país tem uma oportunidade concreta de avançar nesse caminho. Com planejamento, participação social, responsabilidade ambiental e cooperação entre os setores público e privado, vamos criar as condições para que a navegação interior cumpra um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento regional e nacional”, destaca Tomé Franca.
SAIP Sul-Mirim
Outra iniciativa em andamento é a proposta de concessão do Sistema Aquaviário Integrado do Sul e Lagoa Mirim (SAIP Sul-Mirim). O projeto reúne os acessos aquaviários aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, além de trechos de rios e lagoas do estado.
A intenção é estruturar uma gestão integrada da infraestrutura aquaviária, com intervenções voltadas a aumentar a previsibilidade das operações e garantir maior regularidade à navegação de cargas.
Para Franca, a expansão da infraestrutura portuária precisa ocorrer de forma articulada aos corredores utilizados para levar a produção aos terminais.
“O papel do Ministério de Portos e Aeroportos é contribuir para que os investimentos em infraestrutura acompanhem o crescimento da economia, reduzam gargalos, ampliem a eficiência logística e deem maior competitividade às exportações brasileiras”, finaliza o chefe da pasta.