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Comércio exterior

Bravo vai verticalizar produção de metais preciosos no Pará

Atualizado em: 14 de September de 2026 às 16:04
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Empresa instalará refinaria e fundição na ZPE de Barcarena para processar produção do Projeto Luanga

A Bravo Mining pretende verticalizar no Pará parte do processamento dos metais extraídos no Projeto Luanga, em Curionópolis, no sudeste do Estado. A subsidiária Bravo Metals instalará uma refinaria e uma fundição na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena, onde a empresa será a âncora do empreendimento.

Com investimento previsto para implantação a partir de 2028, a unidade ocupará 50 hectares e terá capacidade para processar platina, paládio, ródio, níquel e ouro. A estratégia é realizar no Pará etapas de maior valor agregado antes da exportação, reduzindo a necessidade de envio do concentrado para outros países.

O projeto foi apresentado pelo CEO da Bravo Mining, Luís Azevedo, durante encontro na Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA). Segundo o executivo, a decisão também considera os custos logísticos e a concentração de compradores no mercado internacional.

“Se não tomássemos essa decisão, teríamos que exportar o concentrado, o que representaria um custo logístico muito elevado. Além disso, como há poucos compradores desse material no mundo, há uma pressão muito grande sobre o preço”, explicou.

A estrutura em Barcarena será integrada à operação do Projeto Luanga. Enquanto a exploração dos minerais e a planta de beneficiamento estão previstas para Curionópolis, a etapa de refino e fundição será realizada na ZPE, aproximando o processamento da estrutura logística e industrial de Barcarena.

Economia circular

O projeto também prevê o aproveitamento de subprodutos gerados durante o processamento. Os gases de enxofre serão tratados para a produção de ácido sulfúrico, enquanto a escória resultante da fundição poderá ser utilizada pelas indústrias cimenteiras e pelo agronegócio.

A capacidade estimada é de aproximadamente 120 mil toneladas de ácido sulfúrico por ano. A produção poderá ser comercializada no próprio Pará, especialmente para indústrias de fertilizantes instaladas no polo industrial de Barcarena.

Segundo Azevedo, o aproveitamento dos subprodutos permitirá criar novas conexões entre cadeias industriais no Estado.

“O que antes seria resíduo passa a ser reaproveitado como produto no próprio Estado do Pará, tornando as cadeias produtivas mais competitivas pelo acesso facilitado a esses produtos”, disse.

O empreendimento foi apresentado pelos executivos durante encontro na Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA)

Empregos 

A expectativa é gerar cerca de 500 empregos durante a construção da planta e outros 400 postos de trabalho na fase de operação. A empresa estima que 80% da mão de obra seja formada por trabalhadores paraenses.

Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, a instalação da Bravo amplia as possibilidades de industrialização e agregação de valor à produção mineral do Estado.

“A ZPE de Barcarena é estratégica porque fortalece as vocações produtivas do Pará e cria condições para avançarmos na verticalização da nossa produção”, afirmou.

A presença da Bravo também é considerada pelo governo estadual um potencial vetor para a atração de novos empreendimentos para a ZPE. O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Mauro Bastos, afirmou que a companhia poderá contribuir para ampliar a industrialização no Pará.

“Estamos trabalhando pela verticalização da produção e acreditamos que a Bravo, como empresa-âncora da ZPE, poderá atrair outras empresas e contribuir para ampliar o desenvolvimento do Estado”, disse.

Segundo o diretor da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), Antonio de Pádua Rodrigues, a expectativa é iniciar as obras no primeiro semestre de 2027.

O secretário de Estado da Fazenda, René de Oliveira e Sousa Júnior, destacou que a atração de investimentos também dependerá da capacidade do Pará de manter sua competitividade diante das mudanças no sistema tributário nacional.

“Com as mudanças trazidas pela reforma tributária, precisamos construir instrumentos que permitam ao Estado continuar competitivo, atraindo e mantendo investimentos e estimulando a criação e a manutenção de empregos”, concluiu.

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TAGS Barcarena comércio exterior Região Norte ZPE ZPE de Barcarena
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