Sul Export
Setor cobra mais integração para destravar logística do Sul
Painel do Sul Export defendeu simplificação de processos, investimentos em infraestrutura e maior conectividade entre os modais
Representantes dos setores público e privado defenderam avanços na infraestrutura e na integração dos diferentes modais como caminho para reduzir gargalos e aumentar a eficiência logística da Região Sul do País.
O tema foi debatido em um dos painéis técnicos dentro da programação do Sul Export, fórum promovido pelo Grupo Brasil Export, realizado nesta quinta-feira (16) em Foz do Iguaçu (PR). Questões relacionadas ao tempo gasto nas operações de transporte, aos procedimentos nas fronteiras, à modernização dos processos aduaneiros e à infraestrutura ferroviária estiveram entre os principais pontos abordados.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Foz do Iguaçu (Sindifoz), Celso Gallegario, um dos principais problemas enfrentados atualmente pelo transporte está relacionado ao tempo gasto nos diferentes processos.
“Acho que hoje eu diria que o maior problema nosso se chama transit time em tudo: transit time documental, transit time de fronteira, de processos. Atualmente, um veículo de transporte de carga rodoviária tem uma inoperância de 33% do seu tempo parado”, afirmou.
Gallegario também destacou a expectativa de crescimento das operações na região de Foz do Iguaçu diante dos investimentos em infraestrutura e da futura entrada em operação da Ponte da Integração. Na avaliação do dirigente, a movimentação na fronteira poderá crescer pelo menos 30%.
O presidente da Multilog, Djalma Vilela, destacou que a busca por maior eficiência depende da atuação conjunta entre empresas, embarcadores e órgãos públicos. O executivo citou como exemplo os trabalhos realizados com a Receita Federal para acelerar a liberação das cargas.
“A gente tem trabalhado incansavelmente junto com a Receita, com outros parceiros, justamente para fazer com que a gente simplifique, no menor tempo possível”, declarou.
Segundo Vilela, o novo terminal da companhia em Foz do Iguaçu foi planejado para acompanhar o crescimento da movimentação. A estrutura contará ainda com uma área de 25 mil metros quadrados destinada a contêineres de importação e exportação, permitindo ampliar a integração entre as cargas rodoviárias e os fluxos provenientes do modal marítimo.
Na avaliação da vice-presidente executiva da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), Gladys Vinci, os gargalos não estão restritos às fronteiras, mas podem surgir em diferentes etapas do transporte. Para ela, é necessário avançar na integração entre os processos adotados pelos países.
“O caminhão e a carga, tanto o cliente quanto a gente, enxergam como um único processo e, na realidade, lamentavelmente, ainda temos países que pensam de forma diferente sobre o mesmo documento, sobre a mesma carga”, disse.
Gladys destacou ainda iniciativas de antecipação de dados como uma ferramenta para tornar o transporte internacional mais eficiente, permitindo que os órgãos responsáveis tenham acesso às informações antes da chegada dos veículos às fronteiras.
Pela Receita Federal, o delegado-adjunto da Alfândega em Foz do Iguaçu, Fabiano Queiroz Diniz, afirmou que o órgão vem passando por uma transformação na forma de atuação, buscando combinar as atividades de controle com medidas destinadas à simplificação do comércio exterior.
“A Receita Federal vem passando por um processo de transformação muito significativo ao longo dos últimos 15 anos, de um órgão exclusivamente de controle para um órgão que não apenas controla, mas também busca simplificar e facilitar a vida não só do cidadão, mas também dos operadores de comércio exterior”, afirmou.
Entre as iniciativas citadas está o Portal Único de Comércio Exterior, que busca compartilhar dados entre os diferentes órgãos envolvidos nos procedimentos e reduzir a necessidade de apresentação repetida de documentos.
Já o diretor de Integração de Modais da Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina (SPAF), Lucas Ataliba, concentrou sua análise na situação ferroviária da Região Sul. Segundo ele, a revisão da Malha Sul precisa considerar as novas demandas logísticas e a integração com os portos.
“O setor precisa entender que hoje o maior gargalo é a ausência de ferrovia. A gente não discute ferrovia tanto porque nem pensa, nem projeta. Está tão distante que a gente nem lembra que ela existe”, afirmou.
O projeto do Governo Federal, que prevê a nova concessão da Malha Sul em três corredores logísticos, não atendem aos interesses dos estados do Sul do país. “Aqui, ninguém está satisfeito, e se ninguém está satisfeito, o processo tem que ser revisto e dialogado. O Estado de Santa Catarina entende que não é um projeto interessante para a malha ferroviária da região”, completou.