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Diesel da Petrobras acumula defasagem de R$ 3,89 e ameaça abastecimento
Diferença em relação à paridade de importação reduz operações de importadores privados e eleva risco de falta do combustível no País
A defasagem no preço do óleo diesel vendido pela Petrobras nas refinarias, em relação à paridade de importação (PPI), ultrapassou a marca crítica de R$ 3,89 por litro, acendendo o sinal de alerta sobre o risco de desabastecimento em diversas regiões do Brasil. A advertência foi feita pelo presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo.
Com o barril do petróleo tipo Brent consolidado acima de US$ 100 na Intercontinental Exchange (ICE) em decorrência da crise geopolítica no Oriente Médio, a diferença de preços inviabilizou financeiramente a atuação das tradings e importadoras privadas. Como a infraestrutura de refino nacional não possui capacidade volumétrica para suprir a demanda doméstica, exigindo a importação externa de mais de 25% do diesel consumido no País, o recuo das compras privadas em setembro e a perspectiva de nova retração em outubro ameaçam diretamente o abastecimento nacional.
Segundo o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, “sem ajuste nos valores praticados pela estatal, os importadores tendem a reduzir drasticamente suas operações, o que pode comprometer a oferta nas próximas semanas e gerar um cenário grave de desabastecimento”.
A reforma tributária e a logística
A implementação da Reforma Tributária sobre o consumo provocará uma profunda reestruturação na malha de armazenagem e no planejamento de suprimentos das principais cadeias de valor do país. Segundo levantamento realizado pelo Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain) junto a mais de 100 das maiores companhias industriais e varejistas do Brasil, uma em cada cinco grandes empresas (20%) planeja alterar a localização interestadual de seus Centros de Distribuição (CDs) para se adequar às novas regras fiscais.
A pesquisa aponta que o fim gradual da guerra fiscal, impulsionado pela transição do imposto para o princípio do destino e pela unificação das alíquotas, eliminará a atratividade de “passeios de mercadorias” motivados por benefícios estaduais de ICMS. Com isso, a tomada de decisão para a escolha de novos armazéns deixará de ser orientada primariamente pela engenharia tributária e passará a focar na eficiência puramente logística. “Antes da Reforma Tributária, a arquitetura fiscal e os incentivos estaduais tinham grande influência na localização dos armazéns das empresas. Agora, a prioridade será a redução de custos logísticos e a proximidade do consumidor”, explicou Rodrigo Tourinho, sócio-executivo do Ilos.