Portos
Estudo define estratégia para retirada de navio naufragado em Itajaí
Planejamento detalha metodologia para remoção do Navio Pallas no canal de acesso ao complexo portuário Itajaí-Navegantes
Em cerimônia realizada na Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), o Porto recebeu o estudo final para remoção dos destroços do Navio Pallas desenvolvida pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A retirada da embarcação histórica é um dos principais passos para a qualificação do canal de acesso ao complexo portuário Itajaí-Navegantes.
Com mais de 400 páginas e 58 temas analisados, o estudo reúne levantamentos históricos, informações obtidas durante os trabalhos de mergulhos técnicos e avaliações das condições estruturais dos destroços. Também foram consideradas características do local, como a forte correnteza e a baixa visibilidade, que interferem diretamente nas operações subaquáticas.
Um dos principais resultados da pesquisa da Univali é de que a estrutura do navio se fragmentou e diversas das suas partes estão distribuídas pelo canal. Ou seja, a proposta apresentada não considera a remoção do navio como uma única estrutura.
A metodologia da universidade prevê uma operação gradual e controlada, com utilização de tracionamento, associado a cortes em pontos específicos da estrutura, de forma a reduzir a necessidade de permanência dos mergulhadores em condições de baixa visibilidade e forte correnteza.
O estudo também dedica atenção à preservação histórica, onde os materiais de interesse que forem retirados devem ser identificados, registrados, fotografados e submetidos a procedimentos adequados de conservação. A proposta considera que a remoção dos destroços deve conciliar a segurança da navegação e o desenvolvimento do Complexo Portuário com a preservação do patrimônio histórico relacionado ao naufrágio.
“Hoje nós não estamos recebendo apenas um estudo técnico. Estamos recebendo, de certa forma, uma chave que permite ampliar a capacidade do nosso canal, ampliar a capacidade do nosso complexo e permitir que Itajaí e Navegantes possam competir em igualdade de condições com os portos do país e do mundo. Queremos que o Pallas permaneça como uma parte importante do nosso passado, mas não como algo que impeça o avanço do nosso complexo portuário”, afirmou Artur Antunes Pereira, superintendente do Porto de Itajaí.
Durante apresentação, Jules Soto, professor e diretor de Museus da Univali, destacou que o trabalho envolveu uma equipe multidisciplinar e contou com a participação de profissionais do Porto de Itajaí, da Univali e da equipe responsável pelos mergulhos técnicos. Segundo o professor, as condições encontradas no local exigem que a segurança dos mergulhadores seja considerada como um dos principais critérios da operação.
De acordo com a SPI, o estudo também recuperou informações sobre a história do Pallas e identificou materiais que podem ter relevância para a preservação da memória do naufrágio. A proposta é que elementos de interesse histórico sejam devidamente documentados e preservados durante o processo.

Foto: Arquivo/Secom Porto de Itajaí
História
Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas transportava cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí.
O navio naufragou em 23 de outubro de 1893, durante a Revolta da Armada, na região do Pontal da Barra de Itajaí, atualmente pertencente a Navegantes. Segundo registros históricos, a embarcação atingiu pedras submersas nas proximidades do atual molhe Norte.
Os destroços foram novamente identificados em 2017, durante trabalhos de dragagem para a implantação da nova bacia de evolução. Levantamentos posteriores indicaram que a embarcação pode estar partida ao meio, com estruturas metálicas e fragmentos de madeira espalhados pelo leito do rio.