Brasil Export
Exportação e turismo: os desafios para o crescimento de Pernambuco
Especialistas apontam a diversificação comercial e melhorias na infraestrutura como chaves para impulsionar a economia do estado
A diversificação das exportações e o fortalecimento do turismo foram apontados como estratégias essenciais para o desenvolvimento econômico de Pernambuco durante o painel “Turismo e relações comerciais com novos parceiros como alavancas do desenvolvimento de Pernambuco”, realizado no segundo e último dia do fórum Pernambuco Export, nasexta-feira (21), no Recife. Especialistas destacaram desafios como a falta de infraestrutura e a concentração das exportações em poucos produtos e destinos.
Para o gerente para a Região Nordeste da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), Sérgio Ferreira, Pernambuco precisa ampliar sua base exportadora. “Temos cerca de 240 empresas exportadoras, um número muito pequeno para um estado com o nosso potencial. É fundamental diversificar produtos, exportadores e destinos”, afirmou. Ele citou o sucesso de Petrolina, que lidera as exportações nacionais de frutas. “100% das uvas exportadas pelo Brasil saem do Vale do São Francisco, assim como 75% das mangas”, ressaltou ele, que defendeu como ideal o dobro de empresas exportadoras no estado.
O setor turístico também enfrenta dificuldades estruturais, como apontou o sócio da Dix Aeroportos, Manoel Ferreira. “Temos destinos fantásticos que poderiam ser melhor explorados, mas a mobilidade é um grande obstáculo. Não dá para ter um trecho de 60 km que demora quase duas horas para ser percorrido”, criticou. Ele destacou a necessidade de melhorias nos serviços para os turistas. “O visitante não pode ser obrigado a fazer check-out às 11h para pegar um voo só às 16h ou 17h. Precisamos repensar a experiência turística para torná-la mais atrativa”, completou.
O impacto das mudanças geopolíticas no comércio exterior foi um dos pontos levantados pelo fundador do Instituto de Pesquisas em Relações Internacionais (IPERID) e ex-secretário de Relações Internacionais de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto. Para ele, o eixo econômico global está se deslocando do Atlântico para o Pacífico. “O Brasil está a sete dias da costa africana, enquanto a China leva 45 dias para chegar lá. Isso nos coloca em uma posição estratégica para o futuro do comércio mundial”, destacou. Ele alertou que, até 2075, o PIB da Nigéria pode superar o do Brasil, tornando o país africano um parceiro comercial fundamental.

Um dos painéis do último dia do Pernambuco Export abordou o tema “Turismo e relações comerciais com novos parceiros como alavancas do desenvolvimento de Pernambuco”. Foto: Lucas Oliveira/Brasil Export