Aeroportos
Voepass defende que sua frota está “apta” e dentro dos critérios exigidos
Anac apontou reincidência de falhas na gestão operacional da companhia e determinou a paralisação temporária
A Voepass Linhas Aéreas se manifestou após a decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) de suspender temporariamente suas operações a partir desta terça-feira (11). Em nota oficial, a companhia afirmou que já iniciou tratativas internas para demonstrar sua capacidade de garantir os padrões de segurança exigidos pelo órgão regulador.
A empresa destacou que sua frota em funcionamento está “aeronavegável e apta a realizar voos” dentro dos critérios técnicos e regulatórios. No entanto, a Anac apontou reincidência de falhas na gestão operacional da companhia e determinou a paralisação temporária até que todas as pendências sejam atendidas.
A Voepass também ressaltou o impacto da suspensão para passageiros que dependem do transporte aéreo regional. “Essa decisão tem um impacto imensurável para milhares de brasileiros que utilizam a aviação regional todos os dias e contam com seu serviço. Por isso, colocará todos os seus esforços para retomar a operação o mais breve possível”, disse a empresa.
A companhia garantiu que todos os clientes afetados serão atendidos conforme as regras da Resolução 400 da Anac, que prevê reembolso ou alternativas de reacomodação para voos cancelados.
Atualmente, a Voepass opera com uma frota de seis aeronaves e atende 15 destinos, além de realizar fretamentos para duas localidades.
Entenda o caso
A Voepass é formada pela Passaredo Transportes Aéreos e pela MAP Linhas Aéreas. O processo de fiscalização pela Anac teve início após o acidente aéreo ocorrido em agosto de 2024, em Vinhedo (SP). Na ocasião, todas as 62 pessoas a bordo – 58 passageiros e 4 tripulantes – perderam a vida durante o voo 2283, que partiu de Cascavel, Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo–Guarulhos.
Em outubro de 2024, a Anac já havia exigido que a Voepass adotasse medidas como a redução de sua malha aérea, o aumento do tempo de solo das aeronaves para garantir a manutenção adequada, a troca de administradores e a execução de um plano de ações para resolver as falhas identificadas.
De acordo com a Anac, a suspensão das atividades foi tomada após um novo processo de auditoria realizado em fevereiro de 2025, no qual a inspeção verificou o descumprimento de normas e padrões de segurança, além da reincidência de problemas anteriormente considerados resolvidos.
“A decisão decorre da incapacidade da Voepass em solucionar irregularidades identificadas no curso da supervisão realizada pela Agência, bem como da violação das condicionantes estabelecidas anteriormente para a continuidade da operação dentro dos padrões de segurança exigidos”, reforçou a Anac em sua justificativa.
A medida permanece em vigor até que seja comprovada a correção das não conformidades estabelecidas pela Anac.