Aeroportos
Latam assume realocação de passageiros após suspensão da Voepass
Companhia aérea se compromete a reembolsar e remarcar bilhetes após decisão da Anac por falhas na segurança
A companhia aérea Latam assumirá a responsabilidade pela realocação dos clientes e pelo reembolso das passagens aéreas, após a suspensão das operações da Voepass pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) devido à violação das normas de segurança. A informação foi confirmada pelo secretário nacional de Aviação Civil, Tomé Franca, em entrevista para o BE News na quarta-feira (12), em Brasília (DF).
A fala do secretário foi em resposta à nota da Voepass, na qual a companhia alegava que a decisão da Anac teria um “impacto imensurável” para milhares de brasileiros que utilizam os serviços da empresa para o deslocamento em voos regionais. Segundo Franca, o Ministério de Portos e Aeroportos já se reuniu com representantes da Latam para minimizar as consequências da medida.
“Recentemente, fizemos uma reunião com a Latam para que ela possa suprir toda a remarcação dos passageiros que tinham bilhetes comprados na Voepass”, contou. “A Latam já está assumindo esse compromisso, tanto para aqueles que desejam reembolso quanto para remarcação das passagens através da companhia que fazia codeshare com a Voepass”, completou.
O codeshare é uma parceria entre companhias aéreas em que uma empresa comercializa bilhetes para um voo realizado por outra, utilizando seu próprio código.
Desde a última terça-feira (11), a Anac suspendeu, em caráter cautelar, as operações da companhia formada pela Passaredo Transportes Aéreos e pela MAP Linhas Aéreas, sob a justificativa de “incapacidade da Voepass em solucionar irregularidades identificadas no curso da supervisão realizada pela Agência, bem como da violação das condicionantes estabelecidas anteriormente para a continuidade da operação dentro dos padrões de segurança exigidos”.
Tomé Franca reforçou que a medida tem efeito provisório, válido apenas até que a empresa comprove que pode operar dentro da normalidade e das boas práticas do setor aéreo.
“A gente torce para que isso possa ser feito da maneira mais rápida possível, mas é uma decisão acertada, porque a gente precisa garantir a segurança e a boa qualidade dos serviços para os passageiros que são transportados através do transporte aéreo no Brasil”.
As auditorias realizadas pela Anac na Voepass tiveram início após o acidente aéreo ocorrido em agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo. Durante o incidente, 62 pessoas a bordo perderam a vida no voo 2283, que partiu de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
De acordo com a Anac, após uma etapa de fiscalização realizada em fevereiro de 2025, foram identificados o descumprimento de normas e padrões de segurança, além da reincidência de problemas que anteriormente haviam sido considerados resolvidos.
A Voepass conta atualmente com seis aeronaves, atendendo 15 localidades com voos comerciais e duas com contratos de fretamento.
Procurada pela reportagem, a Latam Linhas Aéreas confirmou que iniciará os serviços emergenciais na quarta-feira (12) e quinta-feira (13), a partir de operações na rota Recife-Fernando de Noronha, em Pernambuco. Os voos serão feitos com aeronaves Airbus A319.
CCR
O secretário nacional de Aviação Civil, Tomé Franca, comentou ainda sobre a notícia de que a CCR, empresa que administra 17 aeroportos no Brasil, incluindo Confins (MG) e Afonso Pena (PR), estuda vender seus ativos aeroportuários como parte de uma reestruturação da empresa.
Nos bastidores, a conversa é que instituições financeiras como BTG Pactual, Goldman Sachs, Itaú Unibanco e Lazard estariam participando das tratativas para viabilizar a negociação dos ativos da CCR. A previsão é de que a transação ocorra de maneira unificada, com pelo menos seis empresas demonstrando interesse na aquisição.
O representante do Ministério de Portos e Aeroportos destacou que, caso sejam formalizados os acordos, o governo, por meio dos esforços do órgão, continuará buscando outras parcerias com agentes privados para administrar os terminais.
“O Brasil é um país de oportunidades, e sempre surgirão novas possibilidades de investimento”, pontuou. “Essas oportunidades estão acontecendo na aviação civil, com aportes em infraestrutura aeroportuária, e temos trabalhado para que esse ambiente seja cada vez mais seguro e atrativo para novos investidores que queiram atuar em parceria conosco”, finalizou Franca.