Internacional
Presidente de Portugal dissolve Parlamento e convoca novas eleições
Com a derrota do primeiro-ministro Luís Montenegro em moção de confiança, Marcelo Rebelo de Sousa marcou novo pleito para 18 de maio
Portugal entrará em um novo ciclo político após o presidente Marcelo Rebelo de Sousa anunciar, na quinta-feira (13), a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições antecipadas para 18 de maio. A decisão marca o fim do governo do primeiro-ministro Luís Montenegro, que sofreu uma derrota histórica no Legislativo.
A crise política se agravou na terça-feira (11), quando Montenegro perdeu uma moção de confiança por 142 votos a 88. Esse mecanismo permite que um governo teste se ainda tem apoio suficiente no Parlamento para continuar governando. Sem maioria, a rejeição da moção significou a perda do mandato.
Montenegro, que assumiu o cargo há cerca de um ano, tentou reverter a crescente pressão da oposição ao propor a moção, mas a estratégia falhou. Seu governo vinha sendo alvo de críticas devido a suspeitas de favorecimento à Spinumviva, empresa de consultoria que ele fundou e que atualmente é administrada por seus filhos. O ex-premiê foi acusado de se beneficiar de um contrato de 4.500 euros (cerca de R$ 24.500) mensais com uma operadora de cassinos. Ele negou qualquer irregularidade e alegou que a empresa mantém contratos exclusivamente privados.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro Luís Montenegro, que assumiu o cargo em março de 2024 e não conseguiu reverter a crescente pressão da oposição. Foto: Reprodução/Instagram
A falta de maioria parlamentar foi um obstáculo constante para Montenegro, que governava com um gabinete minoritário do Partido Social Democrata (PSD). Sua gestão se tornou ainda mais frágil com a oposição unida contra ele. Tanto o Partido Socialista, de centro-esquerda, quanto o Chega, de extrema direita, desempenharam um papel decisivo na rejeição da moção.
Com a dissolução do Parlamento, os portugueses se preparam para retornar às urnas pela terceira vez em pouco mais de três anos. Em 2022, elegeram António Costa, que renunciou em novembro de 2023 após ser alvo de uma investigação policial. Já em março de 2024, Montenegro venceu por uma margem apertada de menos de 2 mil votos.