Santos Export
Resistência à inovação no setor portuário e logístico: desafios e soluções
Especialistas discutem as barreiras à adoção de novas tecnologias no setor e a importância da qualificação de funcionários para a inovação
As empresas do setor portuário e de logística ainda mantêm uma abordagem tradicional e resistem à adoção de novas tecnologias para solucionar gargalos nas operações. Durante o primeiro painel do Inova Export, realizado na terça-feira (18) dentro da programação do Santos Export, especialistas do setor digital compartilharam suas visões sobre como as corporações podem expandir um ecossistema de inovação.
Leonardo Perticarrari, gerente de Inovação e Projetos Estratégicos da Maersk, detalhou que os desafios da modernização se dão tanto nas estruturas físicas quanto nos processos de contratação de startups para soluções operacionais.
“A gente está falando na ponta, tanto no porto, quanto na parte de logística com os motoristas, e a questão de tecnologia é um pilar super importante”, disse.
Perticarrari explicou que, antes de ser implementado em larga escala, é necessário testar novas tecnologias com as startups. No entanto, essa etapa envolve obstáculos administrativos, como a necessidade de passar por várias áreas corporativas, incluindo compras, jurídico, TI e segurança cibernética.
“Às vezes, o que era para durar três meses para contratar uma startup dura seis meses e gera uma grande ansiedade para o empreendedor”.
Uma das sugestões do gerente é que o setor passe a ter contratos padronizados com essas empresas, reduzindo a burocracia na primeira fase de testes e agilizando a execução dos serviços.
Para Flávia Cordella Silveira, gerente de TI e Escalação do Ogmo Santos, um dos grandes pontos de resistência na adesão das tecnologias é a qualificação e treinamento dos funcionários. “A capacitação e comunicação com o trabalhador são essenciais para que a inovação aconteça”, pontuou.
Silveira compartilhou uma experiência com a introdução do sistema SAP (softwares de gestão de empresas) no Ogmo, que inicialmente não teve o impacto desejado.
“Um fracasso na implantação do SAP foi não conquistar a equipe que iria apoiar a implementação. Depois, retomamos a ideia de capacitar e treinamos todos os usuários para que se sentissem importantes”, relembrou.
Atualmente, a gerente afirmou que o quadro de funcionários do Ogmo agora conta com mais suporte e, com isso, pode implementar novos sistemas de maneira mais ágil, como a adesão à escala digital, motivada pela pandemia.
“Estamos falando de inovação, mas a inovação não é só tecnologia. A maior parte da inovação ainda está nas pessoas, e acho que isso é importante frisar”, finalizou Silveira. O Inova Export faz parte da programação do Santos Export, fórum regional de infraestrutura e logística que acontece nestes dias 18 e 19 em Santos.
O painel “Tecnologia em Ação, Colaboração entre Empresas e Ecossistemas de Inovação” foi mediado por Raul Vieira, consultor de tecnologia do Senai da Baixada Santista. Também participaram do debate Kelli Azzolim, gerente de IT e OT da Vopak, e Ana Paula Barros, gestora de TI e Sistemas da Wilson Sons.