Nacional
Cartilha ensina sobre autismo e prepara crianças para viagens de avião
Lançada pelo Governo Federal, “Inclusão Dentro e Fora do Avião” aborda de forma lúdica os desafios enfrentados por passageiros com TEA em aeroportos
A correria pra pegar um voo pode ser estressante pra muita gente, mas pra alguns o desafio é ainda maior. Pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ter dificuldade para lidar com os hiper estímulos que ambientes como os aeroportos podem carregar, especialmente, as crianças. Pensando em construir espaços mais acolhedores, o Ministério de Portos e Aeroportos lançou a cartilha “Inclusão Dentro e Fora do Avião”, que visa promover a conscientização sobre o autismo e os direitos de pessoas neuroatípicas.
O livro conta a história de dois personagens reais, baseados em filhos de colaboradores do Ministério, e se passa dentro de um aeroporto. A ideia é apresentar situações que podem causar desconforto nesse ambiente, em um texto lúdico e descritivo, e ensinar as crianças a reagir da melhor forma.
A cartilha também é pensada para ensinar as crianças neurotípicas sobre o tema, para estimular a compreensão e acolhimento com as crianças dentro do espectro. O livro integra o Programa de Acolhimento ao Passageiro com TEA, uma iniciativa do MPor em parceria com o Novo Programa Viver Sem Limites do Governo Federal e com o Programa Asas Para Todos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A autora, Aline Campos, que é autista, se baseou em características das duas crianças, além de vivências da infância e com o filho de 12 anos, que também tem diagnóstico de TEA. “Nessa cartilha, nós temos as regrinhas básicas para viajar com segurança. Quis trazer isso para as crianças atípicas que possuem muitas dificuldades e desafios ao viajar de avião, em ambientes com grandes estímulos sensoriais como os aeroportos”, explicou.

O conteúdo é ilustrado com a história de duas crianças que representam o olhar do passageiro autista e da empatia que pode ser construída em ambientes mais acessíveis. Fotos: Divulgação
A cartilha orienta sobre o uso dos cordões de identificação, como os modelos de girassol ou quebra-cabeças, que facilitam o atendimento especial nos aeroportos. Também explica os procedimentos de embarque, inspeção de segurança e as etapas do voo, com atenção às particularidades sensoriais de passageiros com TEA.
De forma educativa, o conteúdo é ilustrado com a história de Sophia e Arthur, duas crianças que representam o olhar do passageiro autista e da empatia que pode ser construída em ambientes mais acessíveis. A narrativa ressalta a importância de acolher as diferenças, promover o respeito e incentivar a inclusão.
“Não é fácil, mas não tem segredo, basta enfrentarmos o nosso medo. As turbinas enchem de som o ar. Se você se assustar, o abafador vai ajudar!”, diz um dos trechos da história, que reforça o uso de recursos como abafadores de som para conforto durante o voo.
Guia
Mas a cartilha não é apenas para as crianças. Aline destaca que o livro também é um guia para os adultos aprenderem a oferecer apoio aos menores e o procedimento para buscar auxílio nos aeroportos. “A gente também quis trazer alguns pontos importantes para os adultos. O adulto na história consegue observar vários pontos sobre autismo que são muito importantes para esse acolhimento”, afirmou Aline.
As cartilhas estarão disponíveis dentro das salas multissensoriais dos aeroportos do país. Atualmente, o Brasil conta com cinco salas desse tipo, nos aeroportos de Florianópolis (SC), Vitória (ES), Congonhas, em São Paulo, (SP) e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e a mais recente no Recife (PE), inaugurada na semana passada.
Esse número deve crescer com o Programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista, do MPor. A pasta espera inaugurar outras salas em Fortaleza (CE), Brasília (DF) e Galeão, no Rio de Janeiro, que terá duas instalações para atendimento a pessoas com TEA.
Além das novas salas, o programa visa a capacitação de profissionais do setor para atenderem pessoas autistas de maneira adequada, tanto em voo quanto em solo.
Aline contou sua experiência nas salas multissensoriais dos aeroportos. “Eu precisei utilizar a sala de Congonhas. Eu estava muito sobrecarregada, três dias de congresso muito intensos, e eu pude viver na pele ali o benefício que essa sala multissensorial traz para os autistas”.

“Nessa cartilha, nós temos as regrinhas básicas para viajar com segurança. Quis trazer isso para as crianças atípicas que possuem muitas dificuldades e desafios ao viajar de avião, em ambientes com grandes estímulos sensoriais como os aeroportos”. Aline Campos, autora da cartilha “Inclusão Dentro e Fora do Avião”. Foto: Divulgação