O transporte marítimo e a sustentabilidade
A iminente criação do Comitê Interministerial de Transporte Marítimo Sustentável, pelo Governo Federal, representa um reconhecimento da urgência em promover a sustentabilidade em um setor vital para o comércio global. A iniciativa, que busca desenvolver uma agenda específica para o transporte marítimo com foco em combustíveis menos poluentes, demonstra uma visão estratégica para enfrentar os desafios ambientais sem diluir a discussão em um panorama multimodal.
A aprovação pela Organização Marítima Internacional (IMO) de um sistema global de precificação de carbono para embarcações do setor reforça a necessidade de ações concretas em nível nacional. A diretriz da IMO, que a partir de 2028 exigirá a redução da intensidade de carbono – e, assim, de suas emissões – em navios oceânicos, impõe ao Brasil e a outros países a adoção de medidas para incentivar o uso de combustíveis mais limpos e sustentáveis.
A preocupação da diretora de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, Larissa Amorim, com a possibilidade de taxação excessiva e seus impactos na navegação de longo curso, evidencia a complexidade do tema. A formação de subgrupos temáticos dentro do comitê, com a participação do setor privado e da academia, surge como uma estratégia inteligente para abordar as diversas facetas da descarbonização, desde a regulação de combustíveis até a inovação e as medidas de redução de emissões.
A atuação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) junto à IMO, buscando equilibrar os interesses nacionais com as demandas globais por sustentabilidade, é crucial. A existência de metas de redução de emissões estabelecidas pela agência demonstra que o setor brasileiro está ciente da necessidade de transição e vem se preparando para um futuro com menor impacto ambiental.
A destinação dos recursos arrecadados com a precificação de carbono para o incentivo de tecnologias e combustíveis de baixa emissão e, ainda, para a transição energética em países em desenvolvimento sublinha a dimensão global da iniciativa. A sustentabilidade nos transportes, em todas as suas modalidades, não é apenas uma questão ambiental, mas também econômica e social.
Projetos portuários – e também os aeroportuários e os dos demais setores de transportes – que incorporam a sustentabilidade desde sua concepção tendem a ser mais resilientes e eficientes a longo prazo. A adoção de práticas ambientalmente responsáveis pode gerar economias significativas, atrair investimentos com critérios ESG (Ambiental, Social e de Governança) e contribuir para uma imagem positiva do País no cenário internacional. Além disso, a sustentabilidade social, com a consideração das comunidades impactadas e a promoção de empregos verdes, e a sustentabilidade financeira, com a otimização de recursos e a redução de riscos, são pilares essenciais para o desenvolvimento de um setor de transportes robusto e responsável. E este é o caminho a seguir.