Comércio exterior
Brasil e Chile firmam acordo para impulsionar comércio
Memorando de entendimento visa estreitar laços comerciais e promover projetos de infraestrutura
O Brasil e o Chile firmaram nesta terça-feira (22) um memorando de entendimento para estreitar as relações comerciais. O acordo foi assinado pelos presidentes Jorge Viana (Apex Brasil) e Ignacio Fernandes (ProChile) com o objetivo de expandir a presença de ambos os países em mercados internacionais e aumentar o fluxo de negócios.
A cerimônia foi realizada no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), e fez parte da visita oficial do presidente do Chile, Gabriel Boric, ao país. O chefe de Estado da nação vizinha destacou o trabalho conjunto com o governo federal no desenvolvimento logístico do corredor bioceânico.
A iniciativa do Ministério do Planejamento e Orçamento é uma das cinco previstas no projeto de integração sul-americana. A rota de Capricórnio é um corredor que vai conectar o Porto de Santos (SP), no Oceano Atlântico, aos portos chilenos no Oceano Pacífico, atravessando o Paraguai e a Argentina. O objetivo é reduzir custos e tempo de transporte de mercadorias, aumentando a competitividade do comércio internacional das regiões latinas.
“Em 2024, a troca comercial entre Chile e Brasil superou US$12 bilhões. Contudo, ainda temos muito potencial a explorar. Por isso, estávamos conversando com os diferentes ministros sobre setores de investimento, serviços financeiros, transporte, tecnologia da informação, e queremos seguir potencializando”, afirmou Boric.
No território brasileiro, a ligação será feita pelas cidades de Porto Murtinho (MS), Foz do Iguaçu (PR) e Dionísio Cerqueira (SC), convergindo para Salta e San Salvador de Jujuy, na Argentina, antes de cruzar a Cordilheira dos Andes em direção aos portos chilenos.
Dentro do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), estão estimadas cerca de 190 obras para os corredores de integração, incluindo 40 hidrovias, 35 aeroportos, 21 portos, 65 rodovias, 15 infovias, nove ferrovias e cinco linhas de energia.
Segundo Boric, estão programados mais debates sobre o projeto no Fórum Empresarial Brasil-Chile, que ocorre nesta quarta-feira (23), com a participação de outras autoridades e especialistas, incluindo a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reforçou a importância da integração regional e a necessidade de melhorar o comércio e as políticas com os países vizinhos. “A Argentina está próxima de mim, o Chile está próximo de mim, o Uruguai está próximo de mim, o Paraguai está próximo de mim. Por que eu não posso estreitar minhas negociações com eles? Por que eu não posso tentar vender mais e comprar mais?”, argumentou Lula.
O Brasil é o terceiro maior parceiro comercial do Chile, que exporta ao país principalmente cobre, pescados e minérios. Por sua vez, o Chile é o sexto maior destino das compras brasileiras, com petróleo, carne bovina e automóveis sendo os principais itens comprados.
Assinatura de Atos
Durante a cerimônia, os chefes de Estado formalizaram ainda mais sete acordos em áreas como cooperação consular e migratória, segurança pública, assistência jurídica mútua, coprodução audiovisual e intercâmbio de instrutores de paz.
Foi assinado um memorando de entendimento para fortalecer a agricultura familiar, focando em práticas sustentáveis, redução de perdas de alimentos e promoção da agroecologia, além de uma parceria entre os Ministérios de Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento de inteligência artificial, com ênfase na inclusão dos idiomas e expressões culturais da América Latina.
De acordo com o Executivo, as negociações bilaterais resultaram também em cinco atos nas áreas de defesa, cultura, agricultura e empreendedorismo. Estiveram presentes no evento o ministro da Defesa, José Múcio, e outras autoridades brasileiras e chilenas.