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Empresários celebram avanço da Rota Bioceânica de Capricórnio
Com previsão de conclusão até 2026, corredor que ligará o Brasil ao Pacífico pelo Chile promete reduzir custos e ampliar exportações
A aproximação da conclusão da Rota Bioceânica de Capricórnio, prevista para 2026, tem animado empresários e autoridades dos países envolvidos no mega projeto logístico que interligará o Oceano Atlântico ao Pacífico por meio de mais de dois mil quilômetros de estradas. O otimismo marcou o tom do Fórum Empresarial Brasil-Chile, realizado na quarta-feira (23) na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, onde executivos e representantes dos setores público e privado projetaram uma nova era de desenvolvimento econômico.
Com infraestrutura em fase final de execução e orçamento assegurado pelo Novo PAC, a rota bioceânica é tida como estratégica para destravar gargalos logísticos históricos do Centro-Oeste, especialmente do Mato Grosso do Sul, principal entroncamento do corredor no Brasil. A principal obra, a ponte binacional entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai), deve ser entregue até maio de 2026.
“Acredito que este seja um momento histórico. Um dia na história”, afirmou a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ao lado do presidente chileno, Gabriel Boric, na reunião. “O Brasil não pode continuar de costas para a América do Sul, e a América do Sul não pode seguir de costas para o Brasil”, declarou. Segundo Tebet, com aduanas integradas e racionalização da logística, os custos com transporte poderão cair até dez vezes em relação ao modelo atual.
O entusiasmo também vem do setor produtivo. O Grupo Bello Alimentos, com sede em Mato Grosso do Sul, prevê fechar 2025 com faturamento de R$ 1,5 bilhão apenas no estado, e alcançar a marca de R$ 20 bilhões em receita nacional até 2030. A projeção é puxada pela expectativa de ampliação das exportações, especialmente para o Chile, via nova rota rodoviária. A previsão é praticamente dobrar o faturamento do grupo em relação a previsão deste ano, entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões contando unidades de todo Brasil.
A Rota 4, um dos trechos do corredor, contará com aduana integrada em cabeceira única, permitindo redução drástica no tempo de espera dos caminhões – de 72 para apenas 6 horas – e queda nos custos logísticos por tonelada transportada, de US$ 600 para cerca de US$ 50.
A empresa, que já exporta cerca de 40% de sua produção e obtém 60% da receita com vendas externas, vê na nova rota uma oportunidade para diversificar ainda mais os negócios, inclusive com a expansão da piscicultura. O setor já responde por até 10% do faturamento do grupo e deve ser impulsionado pela aquisição da unidade Mar & Terra, em Itaporã (MS).
Lado Chile
Do lado chileno, o projeto também é prioridade. O presidente Gabriel Boric destacou que seu governo trabalha para eliminar entraves logísticos e garantir que o corredor funcione plenamente. “Mais importante que falar sobre integração é realizar obras”, disse. O tempo de trânsito entre os dois oceanos poderá cair até 12 dias, segundo ele, tornando a rota competitiva frente ao Canal do Panamá e ao Estreito de Magalhães.
O ministro da Economia do Chile, Nicolás Grau, detalhou os cinco eixos do plano de ação chileno: segurança, infraestrutura, logística portuária, articulação institucional e oportunidades privadas. “Queremos que os caminhões saiam carregados do Brasil e voltem carregados do Chile”, afirmou, ressaltando o potencial de complementaridade econômica e os ganhos oferecidos pelos tratados de livre comércio do país andino.
As oportunidades também foram evidenciadas nos dados de comércio exterior. Em 2024, o Brasil exportou US$ 337 bilhões, dos quais US$ 37 bilhões para países sul-americanos — com destaque para o Chile, segundo destino mais importante das vendas brasileiras. O diferencial está no perfil das exportações: enquanto 85% dos produtos enviados à região têm alto valor agregado, apenas 2% das exportações brasileiras para a China possuem esse perfil.
A Rota Bioceânica de Capricórnio é uma das cinco frentes do projeto Rotas de Integração Sul-Americana, lançado em 2023 após o Consenso de Brasília. Além de interligar portos brasileiros como Santos, Paranaguá e Itajaí aos terminais chilenos de Iquique, Mejillones e Antofagasta, a iniciativa conta com 190 obras de infraestrutura previstas no Novo PAC, incluindo rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Se as projeções se confirmarem, até o fim do atual governo os oceanos Atlântico e Pacífico estarão conectados por uma via moderna, segura e eficiente — marco da integração continental e do fortalecimento do protagonismo regional brasileiro. Para Tebet, mais do que uma obra de transporte, trata-se de “um projeto de desenvolvimento compartilhado”.