Região Sul
“A federalização foi um grande acerto”, diz superintendente de Itajaí
Superintendente do Porto de Itajaí, João Paulo Tavares fala ao BE News sobre os impactos da nova gestão do complexo e os planos para os próximos anos
A federalização do Porto de Itajaí (SC), implementada no início deste ano, já começa a impactar diretamente nos números e na gestão do complexo. Esta é a leitura que faz o novo superintendente do complexo, João Paulo Tavares, que tomou posse no último dia 8.
Até o final de 2024, o porto estava sob o controle da Prefeitura de Itajaí, como uma autarquia municipal. Contudo, a partir de janeiro deste ano, o Governo Federal assumiu a gestão do porto, designando a Autoridade Portuária de Santos (APS) para a administração.
Durante a participação do Porto de Itajaí na Intermodal South America, realizada na última semana, em São Paulo, Tavares compartilhou com o BE News os primeiros resultados dessa nova fase. Segundo ele, por exemplo, o faturamento do porto praticamente triplicou em janeiro e fevereiro. A arrecadação de impostos também teve um aumento expressivo, e, pela primeira vez em quase três décadas, será realizado um chamamento para a contratação de 122 trabalhadores de capatazia, em parceria com o Ogmo de Itajaí.
Ele ainda falou sobre os desafios e as perspectivas para o futuro do porto, incluindo o andamento do processo de concessão do canal de acesso e do arrendamento definitivo do terminal, além dos planos para a criação da Companhia Docas de Itajaí.

O porto estava sob o controle da Prefeitura de Itajaí, mas em janeiro o Governo Federal assumiu a gestão, designando a Autoridade Portuária de Santos para a administrá-lo. Foto: Divulgação/Fiesc
Qual balanço o senhor faz desses primeiros meses do Porto de Itajaí após a federalização?
A federalização foi um grande acerto. Veja os números. Tínhamos um faturamento de R$ 5 milhões de janeiro do ano passado e batemos R$ 16 milhões em janeiro deste ano. Tínhamos R$ 7 milhões em fevereiro de 2024 e batemos R$ 15 milhões este ano. Devemos já no meio deste exercício superar o faturamento do ano passado todinho. Além disso, o Governo Federal está arcando com a folha de pagamento, um custo de R$ 2 milhões que era da Prefeitura. Assumimos o passivo do porto para este ano, inclusive de precatórios. Estamos fazendo a arrecadação de excesso, coisa que inexistia, pois o porto era gerido por uma autarquia pública municipal. Então, já devemos ter batido R$ 1,4 milhão de arrecadação nos cofres da Prefeitura. Nosso faturamento e arrecadação de impostos aumentaram consideravelmente. Um dos sinais disso é que depois de 29 anos, pela primeira vez, vamos ter um chamamento por mão de obra. Serão abertas no Ogmo de Itajaí 122 vagas, a demonstrar o acerto da decisão tomada e o incremento das atividades do porto. Agora neste mês de maio deve sair o edital, com expectativa de contratação para este ano ainda.
O senhor foi empossado recentemente como superintendente do Porto de Itajaí. Quais as suas primeiras impressões no cargo?
Num primeiro momento, por uma questão de bairrismo e falta de informação, o processo foi bastante traumático. A cidade não recebeu bem a notícia da federalização. Hoje, os números que apresentamos certificam o acerto disso. O incremento das cargas, a otimização do nosso pessoal, a integração com o Porto de Santos. Já ouvi um trabalhador falando sobre a expertise de Santos. Nós gerenciamos quatro berços; eles gerenciam 64 berços. Atingimos uma ou duas cidades, enquanto que eles atingem cinco grandes municípios da Baixada Santista. Os números nos credenciam hoje, a mão de obra parece que está satisfeita. Os operadores têm percebido que nós temos pressa em fazer nossas entregas. Temos o timing de cumprir até dezembro do ano que vem as promessas que anunciamos.
Quais as prioridades da gestão?
Herdamos uma dívida de R$ 48 milhões, que foi quitada pelo Governo Federal. A manutenção do calado. A estabilidade com relação à prestadora de serviço. Segurança jurídica para que possamos continuar operando. A remoção do navio Palace (que está atracado no porto há anos, sem uso) para podermos aumentar nossas operações. A construção de um píer de turismo, aparato que vai servir a cidade não só no período dos transatlânticos, mas como um atrativo turístico durante o ano todo. Com boulevard, restaurantes, hoteis que fiquem em favor da cidade. A criação da Docas de Itajaí, que vai ser discutida pela comissão nacional. E algumas outras novidades que ainda não estou autorizado a revelar.
Como está o processo de concessão do canal de acesso ao porto?
Nós tivemos reuniões no Ministério de Portos e Aeroportos e foi confirmado que o edital está em vias de ser lançado. Existe uma grande preocupação porque essa concessão envolve a Tabela 1, que é a nossa principal fonte de receita. Essa decisão já havia sido tomada antes da minha chegada à superintendência. Na reformulação prevista para o futuro do porto, que deve ser estruturada por meio de um projeto de lei, vamos participar de uma comissão nacional junto à Secretaria Nacional de Portos, que vai discutir a viabilidade econômica das operações que restam no porto.
Nota da Redação: a Tabela 1 refere-se às tarifas cobradas pelo uso do canal de acesso do porto. Com a concessão do ativo à iniciativa privada, a arrecadação dessas tarifas passará a ser responsabilidade da concessionária.
Como está o andamento para a publicação do edital para a concessão do canal? E o cronograma para a concessão do porto?
Sobre a concessão do canal, fui informado que o edital com o chamamento das empresas interessadas deve rodar ainda esse ano. Paralelamente a isso, estamos trabalhando a (concessão) do porto. Essa deve ficar para o ano que vem porque a JBS (atual arrendatária do terminal) já pediu a prorrogação do seu contrato por mais dois anos.
E o que o senhor pode falar sobre a criação da Docas de Itajaí. Qual a sua importância?
Estamos criando uma comissão estadual para debater o tema e apresentar propostas à comissão nacional. O Alex (Ávila), secretário nacional (de Portos), já anunciou que será criada a Docas de Itajaí, com representantes do Porto de Santos e da Casa Civil. Precisamos que esse projeto chegue ao Poder Legislativo antes da virada do ano por uma questão orçamentária. Hoje, vivemos do orçamento da Autoridade Portuária de Santos. Com a criação da Docas, ela precisa ser instituída no ano anterior para que tenha um orçamento federal destinado ao seu funcionamento no ano seguinte.