Sul Export
Brasil tem aeroportos, mas falta voar mais: o desafio da infraestrutura e da concorrência
Especialistas defendem mais investimentos e integração entre setor público e privado para modernizar equipamentos e impulsionar a aviação regional
A infraestrutura aeroportuária brasileira precisa de mais investimentos para alcançar todo o seu potencial logístico e de conectividade. Essa foi uma das conclusões dos especialistas durante o painel “Regulação, políticas públicas e investimentos para o desenvolvimento da infraestrutura aeroportuária na região Sul”, no fórum regional Sul Export, em Porto Alegre (RS). Com moderação da diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, Núria Bianco, o debate destacou a urgência de ampliar e modernizar a estrutura de apoio à aviação para integrar melhor o país.
Apesar de o Brasil ocupar a segunda colocação mundial em número de aeródromos, atrás apenas dos Estados Unidos, o CEO da Aeroportos do Brasil, Fábio Rogério Carvalho, chamou atenção para a baixa utilização dessa rede. “Temos uma infraestrutura aeroportuária bastante instalada que é compatível com o tamanho do país, mas ainda voamos muito pouco. O desafio não está apenas em construir mais aeroportos, mas em criar as condições necessárias para atrair mais companhias aéreas. Com mais concorrência, o serviço melhora e o preço das passagens cai”, defendeu.
No mesmo sentido, o CEO da Motiva Aeroportos, Waldo Pérez, apontou que os investimentos são fundamentais para destravar o potencial da aviação regional. A empresa concluiu recentemente a Fase 1B de obras em 20 aeroportos, nove deles na região Sul. “Foram R$ 1,5 bilhão investidos, com R$ 900 milhões no Bloco Sul e R$ 200 milhões só no Rio Grande do Sul. Modernizamos os terminais de Bagé, Pelotas e Uruguaiana, o que é um passo importante para garantir estrutura adequada à aviação regional”, afirmou.

Especialistas e autoridades participaram do painel “Regulação, políticas públicas e investimentos para o desenvolvimento da infraestrutura aeroportuária na região Sul”. Foto: Neitor Corrêa
Parceria
O secretário nacional de Aviação Civil, Tomé Franca, reforçou a importância da parceria entre os setores público e privado na expansão da malha aérea. “Assumi o cargo durante uma crise extremamente difícil, mas me surpreendeu a capacidade de trabalho conjunto entre governo e empresas. É esse esforço que tem garantido que os aeroportos continuem operando e atendendo a população em momentos críticos”, concluiu.
O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, defendeu uma atuação integrada entre os estados do Sul. Para ele, o fortalecimento dos aeroportos depende de infraestrutura de acesso eficiente. “Os portos e aeroportos da região compartilham o mesmo problema: falta rodovia, falta ferrovia. É essa malha terrestre que vai permitir o pleno desenvolvimento da logística aeroportuária. Precisamos de uma visão integrada de investimentos”, concluiu.