Sul Export
Rio Grande do Sul busca protagonismo na produção de hidrogênio verde
De acordo com gerente da Portos RS, o estado já conta com estrutura portuária e demanda industrial para viabilizar o combustível
O Rio Grande do Sul começa a se posicionar como um dos protagonistas da transição energética no Brasil, com destaque para o desenvolvimento do hidrogênio verde. A avaliação é do gerente de Planejamento e Desenvolvimento da Portos RS, Fernando Estima, que defende a consolidação do estado como um polo de produção e uso desse combustível limpo nos próximos anos. A declaração foi feita durante sua apresentação no Sul Export, fórum realizado em Porto Alegre (RS) nos dias 28 e 29 de abril.
Segundo Estima, o estado já conta com consultorias especializadas, estrutura portuária estratégica e demanda industrial que favorecem a instalação de plantas voltadas à produção de hidrogênio verde, gerado a partir de fontes renováveis. “Temos condições tanto para exportar esse insumo quanto para utilizá-lo localmente, especialmente em setores como a produção de fertilizantes. O hidrogênio verde pode impulsionar uma nova etapa da industrialização gaúcha”, afirmou.
Ele também destacou a relação entre o hidrogênio verde e o avanço da geração de energia offshore no litoral do estado. Atualmente, 30 projetos voltados à produção de energia renovável em alto-mar estão em processo de licenciamento ambiental no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

O gerente de Planejamento e Desenvolvimento da Portos RS, Fernando Estima, defende a consolidação do estado como um polo de produção e uso do hidrogênio verde no futuro. Foto: Neitor Corrêa
Estima lembrou ainda que o cenário internacional tende a acelerar essa transformação. Um acordo global prevê que, a partir de 2030, empresas petrolíferas só poderão comercializar petróleo caso comprovem que mais de 30% da energia utilizada na produção venha de fontes renováveis. “É um divisor de águas. A transição energética não é mais uma possibilidade futura, mas uma exigência presente para quem quer competir no mercado internacional”, ressaltou.
Apesar do potencial, ele alertou que o Brasil ainda trata de forma superficial a chamada economia do mar e precisa avançar em planejamento e regulação. “Nossa fronteira marítima ainda está em fase inicial de estruturação. O hidrogênio verde pode ser a chave para transformar a costa brasileira em um ativo estratégico de energia limpa e industrialização sustentável”.
No ano passado, o governo japonês, por meio do Ministério da Economia, Comércio e Indústria (Meti), aprovou um projeto estratégico para a formulação de um Master Plan voltado à produção e ao consumo de hidrogênio verde no Rio Grande do Sul.
Ainda sem data de conclusão, a iniciativa será conduzida pela consultoria ERM Japan, em parceria com o governo estadual, com foco no aproveitamento do potencial de energia renovável da região e no fortalecimento das relações econômicas bilaterais.