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Sul Export

Portos RS prevê obras de dragagem até 2026, mas descarta colapso na navegação

Atualizado em: 8 de May de 2025 às 11:01
Cássio Lyra Enviar e-mail para o Autor

Cristiano Klinger detalha plano de recuperação das hidrovias gaúchas e do canal de acesso ao Porto do Rio Grande, afetados pelas enchentes de 2024

O diretor-presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, afirmou que as obras de dragagem e recuperação do calado das hidrovias gaúchas e do canal de acesso do Rio Grande vão se estender até 2026. O executivo detalhou o planejamento de obras e recuperação da atividade marítima durante sua participação no Sul Export. O fórum regional de Logística, Infraestrutura e Transportes foi realizado nos dias 28 e 29 de abril, em Porto Alegre (RS).

No início de 2024, a Autoridade Portuária concluiu uma campanha de dragagem com investimentos próprios de mais de R$ 100 milhões, mas todo o trabalho foi em vão a partir do mês de abril com a tragédia climática que assoreou os canais hidroviários e o canal de acesso ao porto do Rio Grande, o principal complexo portuário do estado.

Dentro do plano de reconstrução do Rio Grande do Sul, o Governo Estadual liberou recursos da ordem de R$ 731 milhões para obras de dragagem e batimetria nas hidrovias gaúchas e no canal do Rio Grande. Klinger afirmou que o serviço completo seguirá até 2026.

“Quando falamos em obra completa, de todos os canais, hidrovia e canal, é uma obra para o restante de 2025 e todo o 2026. A pergunta é: a gente vai continuar com o problema até lá? Não vamos”, afirmou.

O objetivo da Portos RS é retomar o calado de 15 metros no canal de acesso em Rio Grande, enquanto que nas hidrovias a medição é de 5,18 metros.

“Queremos poder olhar e ver como diminuímos o nosso problema para que cada vez mais tenhamos a retomada das embarcações, dos navios principalmente. A lógica do trabalho é diminuir o problema, destacando os pontos mais urgentes”, explicou.

Atualmente, o Porto do Rio Grande possui um calado de 14,20 metros, segundo a última medição liberada pela Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul. Segundo Klinger, a obra no local deverá começar no início do segundo semestre deste ano, focando nos pontos críticos.

Obras

O presidente da Portos RS atualizou quais são os pontos de hidrovias que estão em obras de recuperação de profundidade.

“Tivemos uma primeira atuação no Canal de Itapuã, com registro de três ou quatro encalhes. A obra já está executada. Estamos no final da batimetria pós-obra para recuperação do calado.  Atualmente, trabalhamos em quatro canais, sendo Itapuã, Leitão, Furadinho e Barra do São Gonçalo. Estamos com as batimetrias da próxima licitação, que será de mais oito canais. E neste mês de maio estaremos fazendo a contratação. Ainda faltam mais dois lotes de quatro canais cada”, explicou.

Ainda sobre a execução das obras, Klinger afirmou que, “assim como foi feito no Canal de Itapuã, digamos que abrimos o canal dentro dele próprio para poder resolver o problema. Nesses quatro canais atuais, estamos trabalhando da mesma forma. Ou seja, abrimos espaço para que embarcações possam trafegar com os seus 5,18 metros e depois seguimos no restante dos canais para completar tudo. Assim como será com os próximos oito que virão, (atuando) da mesma forma, sempre visando diminuir o problema”, concluiu.

O secretário nacional de Hidrovias, Dino Antunes, afirmou que mais eventos climáticos devem ocorrer no estado e em outros pontos do Brasil, e que os setores públicos devem estar preparados para mitigar os impactos.

“Não adianta arrumar só o que foi feito. Temos que nos preparar para o que vem aí. Esses eventos devem ter frequência aumentada, e tudo indica que será assim, tudo tem sinalizado para isso”, disse.

O secretário comentou que empresas de navegação sofreram bastante durante todo o ano de 2024 após as enchentes registradas.

“Tivemos alagamentos em grande parte dos estaleiros de manutenção do estado. Percebemos também a dificuldade das empresas, porém uma resiliência muito grande delas, pois, em vários casos, conseguiram manter a navegação”, completou.

O painel que debateu os investimentos para o desenvolvimento aquaviário da região Sul contou com a participação de Ricardo Delfim, diretor comercial da Jan de Nul; Arionor Souza, secretário executivo da Praticagem do Brasil; e, Guillermo Valles Galmés, embaixador do Uruguai no Brasil. A moderação foi do jornalista Leopoldo Figueiredo, diretor-geral da Rede BE News.

 

 

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