Região Sudeste
Nome de Waguinho para presidir a PortosRio enfrenta resistência no setor
Indicação do ex-prefeito de Belford Roxo conta com apoio de Lula, mas gera desconforto entre operadores portuários e dentro do próprio Ministério de Portos e Aeroportos
A possível indicação do ex-prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, para a presidência da PortosRio tem gerado desconforto tanto entre representantes do setor privado quanto em segmentos da administração pública ligados à área portuária.
Segundo apuração do BE News, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também estaria insatisfeito com a articulação em curso. A pressão pela substituição do atual presidente da companhia, Francisco Leite Martins Neto, partiria de alas do PT fluminense, especialmente de um grupo liderado pelo vice-presidente nacional do partido, Washington Quaquá. De acordo com informações divulgadas por jornais do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vê com bons olhos a nomeação de Waguinho.
O movimento é questionado sobretudo pelo desempenho da atual gestão. Desde que Francisco Martins assumiu o comando da PortosRio, em outubro de 2023, a estatal vem acumulando bons resultados. No ano passado, a movimentação de cargas superou 76 milhões de toneladas, um recorde histórico. No mesmo período, a empresa promoveu o maior leilão portuário do país, envolvendo uma área do Porto de Itaguaí destinada ao minério de ferro. Outro destaque foi a conclusão da dragagem do Porto do Rio de Janeiro, com investimentos de R$ 163 milhões. A obra permitiu ampliar a capacidade operacional do terminal em até 700 TEU por embarcação, com profundidade de 15,3 metros.

Caso a indicação se confirme, Waguinho ainda precisará passar por avaliação do Conselho Administrativo e do Conselho de Ética da PortosRio e do Ministério de Portos e Aeroportos. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Além das preocupações com a continuidade da gestão, pesa contra Waguinho uma ação do Ministério Público Eleitoral. Em dezembro do ano passado, o MPE pediu a inelegibilidade do ex-prefeito por suspeita de abuso de poder político durante a campanha municipal de 2024, quando ele teria usado a máquina pública para beneficiar seu sobrinho, Matheus Carneiro, candidato à prefeitura de Belford Roxo.
Critérios legais
A possível nomeação de Waguinho também levou a Associação Brasileira de Usuários de Portos, de Transportes e Logística (Logística Brasil) a enviar um ofício ao ministro Silvio Costa Filho. No documento, a entidade pede esclarecimentos sobre os critérios legais que permitiriam a indicação do ex-prefeito. A principal preocupação gira em torno da chamada “quarentena partidária”. De acordo com a associação, Waguinho presidiu o diretório estadual do Republicanos até o dia 7 de maio deste ano, o que impediria sua nomeação para o cargo, uma vez que o regulamento da autoridade portuária exige 36 meses de afastamento de funções partidárias.
O presidente da Logística Brasil, André de Seixas, declarou que a preocupação da entidade não é com a figura pessoal de Waguinho, mas com o respeito às normas e com o impacto que uma troca poderia trazer à gestão portuária do estado do Rio de Janeiro.
Caso a indicação se confirme, o nome de Waguinho ainda precisará passar por avaliação do Conselho Administrativo e do Conselho de Ética da PortosRio, além do Ministério de Portos e Aeroportos. A estatal é responsável pela administração dos portos públicos do estado do Rio de Janeiro, incluindo os terminais da capital, Itaguaí, Angra dos Reis, Niterói e Forno.