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Em busca de novos caminhos para o país

Atualizado em: 17 de May de 2025 às 10:25
Ivani Cardoso Enviar e-mail para o Autor

Tullio Ponzi. Foto: Arquivo Pessoal

A veia empreendedora pulsou cedo no advogado e gestor Tullio Ponzi. Desde menino, demonstrava inquietação e vontade de fazer tudo ao mesmo tempo: entrou no futebol, no basquete e no judô, até que os pais perceberam a necessidade de focar no essencial. Ficou apenas com o basquete, mas naturalmente se envolvia em outras atividades. Com talento para o desenho, começou a vender ilustrações dos personagens da moda — como os Cavaleiros do Zodíaco — para os colegas. As cópias, ele negociava por um preço mais acessível. Mais adiante, passou a vender estilingues, que lhe davam maior retorno.

Na época, pouco se falava em empreendedorismo, mas Ponzi já demonstrava um olhar diferenciado para resolver problemas, cumprir tarefas e agarrar oportunidades. “Comecei como empreendedor público e, ao longo da jornada, me envolvi com projetos inovadores que exigiam criatividade e abordagens diferentes para problemas que se arrastavam por décadas e gestões. Sempre trabalhei com inovação e desenvolvimento sustentável antes mesmo de esses termos ganharem notoriedade”, conta.

Aos 23 anos, recém-formado em Direito, assumiu a ousada missão de dirigir o Hospital de Câncer de Pernambuco, durante uma intervenção do governo estadual. “Logo percebi que os maiores problemas não eram jurídicos, mas sim de gestão. Hoje, o hospital é uma das principais referências em saúde pública no Brasil. Na época, conseguimos mudar o cenário crítico com o uso de uma startup que conectava os principais hospitais do país aos principais fornecedores de medicamentos — algo inédito no setor público, até então. Reduzimos em quase 60% o custo dos medicamentos. Isso só foi possível com ousadia e capacidade de construir soluções. Foi ali que me apaixonei pela gestão pública.”

Sua trajetória é marcada pelo desejo de fazer a diferença, usando a tecnologia para transformar vidas e territórios. Essa é a missão que Tullio abraça hoje como CEO da Ikone Global Social League e consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Atualmente, contribui com o reposicionamento estratégico dos Ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos, focado nas agendas de inovação e descarbonização. Antes de assumir a liderança da Ikone, atuou por 12 anos em posições-chave na gestão pública. Também é professor convidado da LSE Cities (London School of Economics), na área de Cidades, Inovação e Políticas Públicas.

Como Secretário de Inovação Urbana do Recife (2017–2021), coordenou o programa Mais Vida nos Morros, política pública de inovação e resiliência urbana que impactou mais de 50 mil moradores em 55 comunidades, com alto impacto, baixo custo e implantação ágil. Outro marco foi o ReciclaMais, primeira política pública de reciclagem de lixo plástico no Brasil, com foco em conscientização, mobiliário urbano inovador, geração de renda e economia circular e de baixo carbono.

Aos 39 anos, Tullio tem um currículo plural. Foi Chefe de Gabinete da Secretaria de Planejamento e Gestão de Pernambuco, membro de diversos conselhos de administração, Head de Sustentabilidade e Competitividade no Complexo Industrial e Portuário de Suape, e Secretário Executivo de Coordenação Geral na Secretaria de Infraestrutura de Pernambuco.

Na Ikone, lidera um time de especialistas dedicados a acelerar o desenvolvimento sustentável por meio de soluções inovadoras. Entre os projetos estão o LUV – Laboratório Urbano Vivo, em parceria com a Prefeitura de Vitória (ES), além de planos de mobilidade sustentável, de longo prazo, de bairros e programas de inovação urbana em cidades como Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Simões Filho (BA), São Paulo, Mogi das Cruzes (SP) e Guarulhos (SP).

Durante sua atuação em Suape, desenvolveu habilidades com indicadores, práticas de redução de custos e estratégias para aumento de receita e qualidade dos serviços. “Na época, o complexo vivia a implantação de grandes projetos, como refinarias e estaleiros. Me envolvi na articulação com municípios da região metropolitana, melhorando a governança e a performance do porto. Suape tem 70% de seu território em área de preservação ambiental e abriga mais de cinco mil famílias. É uma empresa pública com desafios de cidade. Essa vivência fortaleceu meu vínculo com a dimensão urbana do desenvolvimento.”

O auge da carreira pública, segundo ele, foi na Secretaria de Planejamento e Gestão de Pernambuco (2011–2012), nos últimos anos da gestão Eduardo Campos. “Foi quando o tema cidades entrou de vez na minha vida. Era a ‘cozinha do governo’, onde coordenávamos projetos estratégicos, como a urbanização da Ilha de Deus, um dos principais daquela época. E isso só cresceu na Prefeitura do Recife, que conseguiu mostrar ao país que é possível fazer diferente.”

Essa mesma energia foi levada para a Ikone. “Em Vitória, estamos transformando a cidade com novos mecanismos de inovação, criando segurança jurídica e urbanística. É um laboratório vivo. Nossa proposta também inclui reinventar a relação do cidadão com o espaço urbano — ver crianças brincando nas ruas, famílias se integrando.

Isso mostra que segurança pública não se faz só com policiamento. O planejamento urbano é fundamental. Não podemos mais fingir que os problemas não existem. Medidas pontuais não resolvem. Precisamos saber o que queremos como país. É preciso inteligência e integração para construir políticas públicas duradouras.”

Ponzi acompanha atentamente os debates promovidos pelo Brasil Export e vê os fóruns como espaços essenciais para trazer novos olhares à agenda de descarbonização, medidas para enfrentar as mudanças climáticas, integrar portos, rodovias, ferrovias e estimular soluções como a ampliação da cabotagem. “Vivemos em um país com muitas injustiças históricas e desafios estruturais. Mas acredito que o Brasil tem potencial para se tornar um grande laboratório de novas tecnologias, negócios e soluções para o mundo. É preciso antecipar o futuro.”

Difícil com tanto trabalho é conseguir tempo para o banho de mar demorado, daqueles em que se fica boiando, sem pensar em nada, seu grande prazer. Também aprecia a leitura e recomenda a última leitura: Como o mundo funciona: Um guia científico para o passado, o presente e o futuro, de Vaclav Smil. Seu lema de vida resume bem a fusão entre prazer e propósito: “Quando você encontra algo que ama fazer, não há mais divisão entre trabalho e lazer. A energia e o combustível vêm disso.”

 

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