Comércio exterior
ZPE de Uberaba vai receber investimento de R$ 7,8 bi em H2V
O anúncio será feito durante o World Hydrogen Summit, evento internacional dedicado às energias renováveis, que ocorre de terça (20) a quinta-feira (22)
A prefeita de Uberaba, Elisa Araújo (PSD), e o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, Celso Neto, vão anunciar nesta semana, de Roterdã, na Holanda, um investimento de R$ 7,8 bilhões na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do município. O anúncio será feito durante o World Hydrogen Summit, evento internacional dedicado às energias renováveis, que ocorre de terça (20) a quinta-feira (22).
Segundo a chefe do Executivo, trata-se da implantação da maior planta de hidrogênio e amônia verdes em larga escala do Brasil. Com uma área de 700 mil metros quadrados, a usina deverá gerar cerca de mil empregos diretos. O projeto é liderado pela iniciativa internacional H2Brazil — fruto de uma parceria entre Brasil e Portugal — e conta com o apoio do Ministério de Minas e Energia (MME), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da ApexBrasil e da agência alemã de cooperação GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit).
Além do novo empreendimento, Uberaba também aguarda a instalação da unidade da Atlas Agro, com previsão de aporte de R$ 5 bilhões.
Posição global
Com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o Brasil vem consolidando sua posição global na produção de hidrogênio verde. No Ceará, o Complexo do Pecém desponta como um dos principais hubs de hidrogênio verde da América Latina. Localizado na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém, o complexo já firmou acordos com empresas como Fortescue, Enegix Energy, Qair Brasil, White Martins e outras.
Os investimentos somam mais de US$ 30 bilhões, com foco na exportação do combustível para a Europa. A posição estratégica do porto, aliada ao potencial de geração solar e eólica do estado, tem sido fundamental para atrair projetos de grande porte.
Na Bahia, o Polo Industrial de Camaçari abriga o primeiro projeto em escala comercial do país. Desenvolvido pela Unigel, em parceria com a empresa alemã thyssenkrupp nucera, o empreendimento recebeu um investimento inicial de US$ 120 milhões. O projeto baiano marcou o início da industrialização do hidrogênio verde no Brasil, ainda em 2024.
O Rio de Janeiro também figura entre os estados que apostam na transição energética. No Porto do Açu, a Fortescue, em parceria com a Prumo Logística, planeja um complexo de produção e exportação de hidrogênio verde.
Já no Rio Grande do Norte, o projeto de um porto-indústria verde em parceria com a Qair Brasil e investidores estrangeiros visa integrar energia eólica offshore à produção de hidrogênio. Com estimativas que ultrapassam os R$ 30 bilhões em aportes ao longo dos próximos anos, o estado potiguar aposta em sua vocação natural para energia renovável como pilar para o desenvolvimento econômico sustentável.
Além desses estados, outras unidades da Federação, como Maranhão, Pernambuco, Piauí e Espírito Santo, iniciam movimentações para atrair investimentos no setor.
Plano Nacional do Hidrogênio
O avanço do hidrogênio verde no Brasil conta com o suporte institucional do governo federal. O Plano Nacional do Hidrogênio, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), estabelece diretrizes para estruturar a cadeia produtiva, fomentar pesquisa e desenvolvimento e atrair capital estrangeiro. O país também mantém diálogo com blocos internacionais, como União Europeia e Japão, visando ampliar parcerias comerciais e tecnológicas.