Tocantins Export
Com entrega prevista para 2026, Berço 98 impulsiona expansão do Itaqui
Porto maranhense aposta em conexões ferroviárias e retomada de contêineres para atender alta na movimentação de cargas
O Porto do Itaqui, no Maranhão, avança na expansão da sua infraestrutura com o Berço 98, cuja finalização das obras e início da operação está prevista para setembro de 2026. Segundo Gustavo Lago, coordenador de estudos de projetos do porto, essa etapa reforça a capacidade do terminal para suprir a crescente demanda do corredor do Arco Norte.
“Estamos em construção do Berço 98 agora com recursos próprios da EMAP (Empresa Maranhense de Administração Portuária), que é a administradora do porto”, afirmou durante sua participação no Tocantins Export, fórum realizado pelo Grupo Brasil Export em Palmas (TO), nos dias 15 e 16 deste mês.
Nos últimos dez anos, a movimentação de cargas no Itaqui mais que dobrou, passando de 14 milhões para 36 milhões de toneladas em 2023. O Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) é destaque nesse crescimento, com cerca de 20 milhões de toneladas operadas no último ano. A instalação, segundo Lago, “está em expansão, o que já está sendo discutido junto à Secretaria de Portos e à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), assim como a expansão do terminal de grãos.”
Embora a vocação principal continue sendo granéis sólidos e líquidos, o porto busca diversificar operações com o retorno da linha de contêineres para cargas como carnes e pequenos volumes agrícolas. Lago afirma que Itaqui já operou no passado com diversas linhas de contêineres e ressalta que há estudos para retomar essa movimentação em breve.
Ainda falando em crescimento, a integração ferroviária também tem papel fundamental. “Hoje a gente recebe comboios de 80 vagões, isso pode ser duplicado para 160 vagões com a expansão da pera ferroviária.” Segundo o coordenador, essa logística integrada permite otimizar a operação, com trens carregados com fertilizantes indo até Palmeirante e voltando com soja para exportação. “Isso foi um grande passo, uma logística integrada perfeita, onde não existe aquela perda de estar com o vagão vazio”.
Lago afirma ainda que para consolidar a expansão, melhorias na infraestrutura rodoviária e avanços no marco regulatório portuário são essenciais. “A logística é um conjunto de fatores. A parte rodoviária precisa de melhorias, há projetos sendo discutidos pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Além disso, temas trabalhistas e o novo marco regulatório portuário, que tramita no Congresso, impactam diretamente nossa operação”.
O coordenador do Porto de Itaqui reforça que os prazos de maturação da infraestrutura são desafiadores. “Cada berço que a gente vai construir, cada ferrovia que a gente vai implantar, são de 2 a 3 anos até efetivamente entrar em operação. Estamos conseguindo fazer isso com bastante planejamento e a tendência é que a gente consiga aumentar essa infraestrutura até 2028.”