Nacional
Infraero reforça investimentos e aposta na modernização de aeroportos regionais
Ao BE News, presidente Rogério Barzellay afirma que foco da companhia é ampliar operações e melhorar integração nacional pelo transporte aéreo
O conjunto de obras que visa melhorar a infraestrutura dos aeroportos e os desafios para colocar projetos em prática no setor aeroportuário foram destacados pelo presidente da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), Rogério Amado Barzellay, em entrevista exclusiva ao BE News.
Rogério assumiu a gestão da empresa pública federal em fevereiro de 2023 e, desde então, está focado em desenvolver o setor em municípios menores e melhorar a integração nacional pelo céu do país.
Barzellay é engenheiro mecânico graduado pela Universidade de Brasília (UnB), desde 1984 e possui mais de 34 anos de experiência na área de gestão pública federal. Ele garante que a Infraero está “definitivamente consolidada” como uma companhia com alta capacidade em prestar serviços técnico-operacionais e prover soluções aeroportuárias.
“Estamos focados no ganho de eficiência, melhoria das condições e ampliação das operações dos aeroportos regionais, o que contribui com mais acesso da população ao transporte aéreo, em consonância com a política de desenvolvimento da aviação civil do Governo Federal”, ressalta Rogério.

Segundo Rogério Barzellay, a Infraero está consolidada como uma companhia com alta capacidade em prestar serviços técnico-operacionais e prover soluções aeroportuárias. Foto: Divulgação
Quais obras estão sendo feitas e quais projetos ainda serão licitados voltados aos aeroportos regionais?
A Infraero está realizando um robusto conjunto de investimentos em obras de infraestrutura nos aeroportos regionais a ela outorgados. As melhorias incluem a construção, ampliação e modernização de Terminais de Passageiros e de estacionamentos de veículos, a reforma e ampliação nas pistas de pouso e decolagem, de taxiamento e nos pátios de aeronaves, a implantação de sistema de balizamento noturno, de PAPI (Sistema Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão), de RESA (Área de Segurança de Fim de Pista) e de sinalizações verticais e horizontais, a instalação de auxílios visuais e equipamentos de navegação aérea, construção de muro e cerca operacional, entre outras. Além disso, a Infraero está implantando o sistema EMAS (Engineered Material Arresting System) de parada de aeronaves nas cabeceiras do Aeroporto Santos Dumont e realizando diversas melhorias no terminal carioca, como a reforma e ampliação das salas de embarque e desembarque remotas e dos sanitários, a substituição de escadas rolantes e elevadores, a reforma do sistema de taxiways e o retrofit do sistema de balizamento noturno.
Quais os maiores desafios notados pelo senhor para colocar projetos em prática?
Os maiores desafios envolvem, principalmente, questões regulatórias, orçamentárias e de articulação entre diferentes esferas de governo e entes privados. Além disso, a implantação de projetos aeroportuários exige um cumprimento rigoroso das normas da aviação civil, o que demanda bastante tempo e um planejamento técnico detalhado.
E quais os principais desafios no transporte aéreo que impactam o turismo em pequenos municípios?
Os principais desafios estão relacionados, sobretudo, à conectividade aérea limitada, à baixa frequência de voos e aos altos custos operacionais. Muitas dessas localidades não contam com aeroportos devidamente estruturados ou com voos regulares, o que dificulta o acesso e reduz a competitividade frente aos destinos mais consolidados. Por isso a importância da realização de políticas públicas e incentivos que promovam a interiorização do turismo, por meio de parcerias entre governos, trade turístico e setor aéreo.
Como está o processo que pretende vender a participação da Infraero no aeroporto do Galeão?
Esse processo está a cargo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A Infraero é responsável pela construção de um novo aeroporto internacional, que será instalado em Olímpia (SP). A previsão indica que as obras começam ainda neste 1º semestre. Como está o andamento deste projeto?
O plano de ação do futuro Aeroporto de Olímpia está na fase de elaboração de estudos preliminares e de espera da liberação do valor na ordem de R$ 370 milhões no orçamento do Governo Federal.
Em relação à inovação tecnológica para o setor e modernização dos sistemas aeroportuários brasileiros, quais projetos ou parcerias destaca?
Destaco a parceria entre Infraero e o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) para a implantação do embarque facial biométrico 100% digital para passageiros e tripulantes nos aeroportos Santos Dumont e Congonhas, este segundo administrado pela Infraero à época. Combinando análise de dados e validação por biometria, a tecnologia dispensa a apresentação de cartões de embarque e documentos de identificação dos viajantes de voos domésticos partindo desses terminais.
E sobre ações que envolvem ESG e sustentabilidade, o que a Infraero tem feito para se adequar a estas novas e importantes demandas do mercado e da sociedade?
A Infraero adota diversas ações com a finalidade de gerar benefícios para a sociedade e agregar valor aos seus negócios. Destacam-se a adoção de Planos de Controle Ambiental de Obras, que reduzem o impacto das obras e o uso de insumos básicos, e a implantação da usina fotovoltaica do Aeroporto Santos Dumont e o uso racional da água, por meio de ações de redução no consumo, reuso e o aproveitamento de água de chuva. Além disso, a Infraero adota políticas e medidas de caráter não discriminatório, bem como ações para assegurar a equidade de gênero em seu corpo funcional.