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“Concessões aeroportuárias representam um marco na infraestrutura do país”, diz CEO da ABR
Associação que representa os aeroportos federais citou também estabilidade jurídica e integração com outros modais para ampliar a conectividade
O setor aeroportuário brasileiro vive um novo momento de transformação. Desde o início do processo de concessões, iniciado em 2011, as empresas privadas que assumiram a gestão dos principais terminais do país já responderam por 67% de todo o investimento em infraestrutura aeroportuária, somando mais de R$ 30 bilhões. Os dados são de um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em parceria com a ABR (Aeroportos do Brasil), associação representativa de todos os aeroportos federais.
Segundo o CEO da ABR, Fábio Rogério Carvalho, esse volume de recursos foi essencial para modernizar os aeroportos brasileiros e aproximá-los de um padrão internacional de qualidade. “As concessões foram decisivas para elevar o nível dos serviços prestados ao passageiro, com mais conforto, acessibilidade, segurança e eficiência. O impacto é visível nos terminais, na operação e no reconhecimento internacional dos operadores brasileiros”, afirma.
Os números apresentados pela ABR reforçam essa percepção. Logo no primeiro ano sob gestão privada, os aeroportos concedidos registraram aumento de 57,7% no número de decolagens e um crescimento médio de 106% na oferta de assentos por quilômetro voado. “A infraestrutura está feita. Nossos equipamentos estão prontos para suportar uma maior oferta de voos e mais demanda de passageiros e cargas. O desafio agora é ampliar a conectividade e tornar o setor mais acessível a todos, e este é o real desafio setorial a ser enfrentado”, resume Carvalho.

Segundo o CEO da ABR, Fábio Rogério Carvalho, os recursos privados foram essenciais para modernizar os aeroportos brasileiros e aproximá-los de um padrão internacional de qualidade. Foto: Divulgação
Além de melhorar a infraestrutura física dos aeroportos, as concessionárias vêm trabalhando para integrar os terminais aos centros urbanos e facilitar a mobilidade dos passageiros, um dos entraves apontados pelo secretário Tomé Franca na entrevista publicada também nesta edição. Para Fábio Carvalho, a conectividade entre os modais de transporte, como trens, metrôs e ônibus, é essencial para que a boa experiência do passageiro vá além do saguão do aeroporto.
“A experiência do usuário não pode ser compartimentada de acordo com as esferas de governo. O bom serviço que oferecemos nos terminais precisa ser complementado por soluções de transporte eficientes e sustentáveis no trajeto até o destino final”, afirma. A ABR defende que os projetos de mobilidade urbana considerem os aeroportos como pontos estratégicos de integração, colaborando com prefeituras e governos estaduais para viabilizar acessos rápidos e integrados.
Carvalho também destaca que as novas rodadas de concessões aeroportuárias já incorporam aprendizados das fases anteriores, com avanços em exigências contratuais, regulação e mecanismos de equilíbrio econômico-financeiro. “A regulação precisa acompanhar a dinâmica dos mercados. A modernização do marco legal é fundamental para atrair investimentos qualificados e garantir estabilidade aos operadores”, defende.
O executivo ressalta ainda a importância de uma agência reguladora técnica e independente, capaz de atuar com agilidade na resolução de conflitos, oferecer segurança jurídica e preservar o equilíbrio contratual. A previsibilidade, segundo ele, é um dos principais fatores para manter o apetite dos investidores no setor.
Carta de Brasília
Em 2024, a ABR liderou a elaboração da “Carta de Brasília”, um documento entregue ao governo federal com propostas objetivas para enfrentar os principais entraves à expansão da aviação civil no Brasil. A carta destaca questões como a pressão cambial, os altos juros, o custo da judicialização, a insegurança regulatória e a política inadequada de precificação dos combustíveis de aviação.
“A instabilidade das regras, como a indefinição permanente sobre a cobrança de bagagem despachada, afeta a atratividade do mercado, encarece as tarifas e dificulta o planejamento de longo prazo”, alerta o CEO da ABR. Ele reforça que o setor está pronto para crescer, inovar e liderar, mas depende de uma atuação coordenada e alinhadas aos desafios globais. “A aviação precisa ser entendida como um meio essencial de modernização do país, onde a inclusão e a competitividade são motores para a velocidade que o Brasil precisa.”