Região Nordeste
Simulação mapeia gargalos na rota entre Piripiri e o Porto de Luís Correia
Carretas com carga de minério percorreram 150 km para identificar falhas e preparar o uso do porto, que ainda não está em operação
Uma simulação no trecho entre Piripiri e Luís Correia, no Piauí, foi realizada para identificar gargalos logísticos e mapear quais intervenções são prioritárias para melhorar o tráfego contínuo de cargas pesadas. A operação envolveu três carretas carregadas com 50 toneladas de minério de ferro cada e percorreu cerca de 150 quilômetros nos dias 6 e 7 de junho. A ação foi divulgada ontem, segunda-feira (9).
A atividade testou o trajeto em dois contextos: na sexta-feira, com o fluxo urbano típico dos dias úteis, e no sábado, quando o tráfego aumenta em direção ao litoral piauiense, um dos principais destinos turísticos do estado.
Segundo a Companhia Porto do Piauí, o objetivo foi analisar pontos críticos e preparar o caminho para que o minério extraído pela mineradora Lion Mining, em Piripiri, passe a ser escoado via Porto de Luís Correia, cuja operação ainda não começou. Atualmente, o transporte é feito pelo Porto do Pecém, no Ceará.
Durante o percurso, técnicos monitoraram o comportamento das carretas em curvas acentuadas, zonas urbanas sensíveis e trechos com potencial de risco. “Essa operação nos dá uma visão realista e técnica do que precisa ser feito para garantir um escoamento eficiente e seguro. É um ensaio do futuro”, afirmou Fábio Freitas, diretor operacional da Companhia Porto Piauí.

Mina de ferro em Piripiri, de onde saiu a carga transportada na simulação (Crédito: Ascom/Porto do Piauí)
Internalização do escoamento de minério
Com o início da operação do Porto de Luís Correia, o Piauí deve internalizar o escoamento do minério de ferro, reduzindo custos e fortalecendo a infraestrutura logística do estado. Para o presidente da Porto Piauí, Raimundo Dias, o novo terminal representa uma mudança significativa para o estado. “Logo o minério de ferro extraído em Piripiri passará a ser exportado através do Porto Piauí. Estamos diante de uma mudança histórica para o comércio exterior piauiense.”
Um relatório técnico com base na simulação será elaborado nos próximos dias, e as observações serão usadas na elaboração de um plano de intervenções de curto, médio e longo prazo. Entre as medidas consideradas estão a instalação de sinalização e radares para controle de velocidade, ajustes em trechos rodoviários inadequados ao transporte de cargas pesadas e a criação de binários urbanos, em diálogo com prefeituras, para reduzir impactos no trânsito local.
Segundo Dias, o documento servirá para orientar ações junto às prefeituras e aos órgãos responsáveis pela malha viária. “O objetivo é garantir que, quando as operações do Porto Piauí estiverem em pleno funcionamento, o escoamento do minério de ferro ocorra de forma segura, eficiente e com o menor impacto possível nas comunidades e no trânsito das regiões atravessadas.”