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Fundo internacional destina R$ 1,3 bi ao Brasil para reduzir emissões industriais
País teve a proposta mais bem avaliada entre 26 concorrentes e deverá apresentar plano com projetos prioritários nos próximos meses
O Brasil foi o país mais bem avaliado entre os 26 concorrentes selecionados pelo Fundo de Investimento Climático (CIF, na sigla em inglês) para participar do Programa de Descarbonização da Indústria. Com isso, o país terá acesso a US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) para acelerar a transição de setores industriais intensivos em emissões, como cimento, aço, alumínio, químicos e fertilizantes.
Essa é a primeira iniciativa global de financiamento dedicada exclusivamente à redução de emissões industriais de gases de efeito estufa (GEE) em países em desenvolvimento. No total, o CIF destinará US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) ao programa, que marca uma nova frente de atuação para a agenda climática internacional.
A proposta brasileira foi elaborada de forma conjunta pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); da Fazenda; e de Minas e Energia (MME), com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A coordenação ficou a cargo da Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda.
O projeto integra a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial, um dos pilares do programa Nova Indústria Brasil (NIB), lançado no início do ano. A proposta foi avaliada por um grupo independente de especialistas, que levou em consideração fatores como engajamento do setor privado, prontidão institucional e compromisso com a transição para uma economia de baixo carbono.
Além da redução de emissões, o projeto brasileiro prevê o desenvolvimento de tecnologias limpas e circulares, como o uso de hidrogênio de baixa emissão, a promoção da economia circular, estímulo à inovação e geração de empregos verdes. Parte dos recursos será destinada à implementação de hubs de hidrogênio, que serão selecionados em chamada pública prevista para outubro, sob responsabilidade do MME.
Nos próximos meses, o governo brasileiro deverá apresentar ao Comitê do Fundo Fiduciário do CIF o plano de investimentos detalhado, com os projetos prioritários, instrumentos financeiros e estratégias de mobilização de capital privado.
O anúncio do resultado ocorreu na última sexta-feira (13), em meio à preparação do Brasil para sediar, em novembro, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). Para o governo federal, a escolha do país como líder na seleção do CIF reforça a expectativa de que a agenda da descarbonização industrial ganhe destaque durante o evento.
“O resultado é fruto do comprometimento do Brasil com políticas voltadas para transição energética e com a construção de ambiente confiável e atrativo para investimentos. Estamos empenhados em promover uma indústria mais limpa, inovadora e competitiva, capaz de gerar empregos de qualidade, movimentar a economia e melhorar a vida da população brasileira. Com apoio do CIF, iremos fortalecer ainda mais nossas ações rumo a um futuro mais sustentável”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Os Fundos de Investimento Climático são uma iniciativa internacional que mobiliza recursos financeiros para apoiar países em desenvolvimento na adoção de soluções contra as mudanças climáticas. O CIF promove ações voltadas à ampliação do acesso à energia, ao uso de tecnologias limpas, à resiliência climática e ao manejo sustentável de florestas, com foco no desenvolvimento sustentável e na redução das emissões globais de gases de efeito estufa.