Região Nordeste
Brasil emite 1ª licença para energia eólica offshore
Projeto-piloto do SENAI do Rio Grande do Norte marca início da geração de energia em alto-mar no país.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte (SENAI-RN) recebeu a primeira licença ambiental do país para um projeto de energia eólica offshore, que será implantado no mar de Areia Branca, a cerca de 330 km de Natal. A autorização foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e permitirá a instalação de dois aerogeradores a até 20 km da costa, com potência total de 24,5 megawatts (MW).
O empreendimento funcionará como um “sítio de testes” para avaliar o desempenho de equipamentos, impactos ambientais e possibilidades de adaptação tecnológica ao cenário brasileiro. A energia gerada abastecerá o Porto-Ilha de Areia Branca, substituindo combustíveis fósseis e reduzindo a emissão de gases de efeito estufa.
A licença prévia tem validade de cinco anos e antecede a autorização de instalação, que deve ser solicitada entre 12 e 18 meses. O projeto é liderado pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), e a operação comercial está prevista para começar em até três anos.
Durante a cerimônia de entrega da licença em Brasília, o diretor do SENAI-RN e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, Rodrigo Mello, destacou o caráter estratégico da iniciativa. “É a primeira pedra colocada para que a indústria offshore possa nascer no Brasil”. Um edital para atrair investidores será lançado até agosto, no modelo conhecido como JIP (Joint Industry Project).
Além de contribuir para a matriz energética limpa, o projeto também impulsiona o desenvolvimento tecnológico, gera empregos, fortalece a indústria local e estimula a formação de mão de obra especializada. Pesquisas em curso avaliam os efeitos da instalação sobre a fauna marinha, as atividades pesqueiras e as comunidades costeiras.
Segundo o Ibama, trata-se de um marco institucional. Esse é o primeiro licenciamento ambiental federal de um projeto offshore no Brasil, consolidando o papel do órgão na regulação de empreendimentos estratégicos para a economia verde.
A iniciativa conta com apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), do Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy Council – GWEC) e da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica).

Energia gerada pelos aerogeradores vai abastecer o Porto-Ilha de Areia Branca, com a ajuda de cabos submarinos. (Imagem: Divulgação)