Centro-Oeste Export
Painel destaca papel do poder público no desenvolvimento regional
Especialistas debatem como políticas públicas podem transformar o Centro-Oeste em polo de tecnologia e pesquisa aplicada
Durante o primeiro painel do Fórum Centro-Oeste Export 2025, realizado nesta quarta-feira (26/6) em Rondonópolis (MT), especialistas reforçaram a importância do setor público como agente indutor da inovação regional. O debate reuniu representantes do governo federal, do setor tecnológico e da gestão municipal para discutir políticas públicas e estratégias que possam transformar o Centro-Oeste em referência em ciência, tecnologia e pesquisa aplicada.
Tetsu Koike, diretor de Políticas Setoriais do Ministério de Portos e Aeroportos, destacou que o Brasil já possui um arcabouço legal sólido para fomentar a inovação, incluindo o Marco Legal da Inovação, a Lei do Bem e medidas de incentivo às startups. “Temos a estrutura, mas não basta. É preciso engajar as pessoas. Sem equipes capacitadas e motivadas, não há inovação real. Precisamos construir ecossistemas vivos, abertos, com interação entre governo, setor privado e academia”, alertou.
Rafael Bastos, diretor do Parque Tecnológico Mato Grosso, reforçou a importância do Estado como articulador e financiador de ambientes integrados. “Nosso novo centro de inovação está conectado com universidades, institutos federais e empresas. Vamos abrigar desde pesquisa de genoma com o Albert Einstein até laboratórios de drones voltados à agricultura familiar”. Ele destacou ainda parcerias com empresas como Schneider Electric (especializada em soluções de gestão de energia e automação) e instituições norueguesas para ampliar o alcance das ações.
Rafael Michiles, superintendente de Tecnologia e Inovação de Rondonópolis, trouxe uma visão prática da gestão municipal. Ele relatou que a cidade tem buscado se espelhar em boas práticas, como as de Curitiba (PR) e Campo Verde (MT), e já implementa sistemas próprios para facilitar o dia a dia do cidadão. “Temos desenvolvido aplicativos e soluções internamente, na própria prefeitura. Nosso conhecimento ainda é limitado, mas o suficiente para ajudar outras cidades que também querem começar.”
Dificuldades do setor
O painel também abordou as barreiras enfrentadas para inovar no setor público, como a burocracia e a falta de cultura voltada à experimentação. Michiles apontou a morosidade dos processos licitatórios como uma trava real, enquanto Bastos defendeu a valorização da pesquisa aplicada, com foco na resolução de problemas concretos.
Ainda sobre o tema, Koike sugeriu que o letramento em inovação pode ser um bom caminho para engajar agentes públicos e privados: “Se as pessoas não entenderem o que é inovação, não vão se conectar com o processo. É preciso descomplicar.”
Ao falar de resultados, o representante do governo federal destacou ainda que o impacto da inovação deve ser medido não só em números, mas na qualidade de vida das pessoas . “Quem mora na periferia também precisa perceber que sua vida melhorou por causa de uma política de inovação. Isso é resultado”, disse Koike.
O painel foi mediado por Karina Martins, diretora-executiva do HUB Brasil Expor. O Fórum Centro-Oeste Export 2025 segue até amanhã, sexta-feira (27), com debates sobre transporte intermodal, marcos regulatórios e investimentos em infraestrutura para o Centro-Oeste.