Centro-Oeste Export
Falta de integração entre modais ameaça escoamento da safra na região
Debates do Centro-Oeste Export expuseram gargalos da região e a necessidade de planejamento coordenado entre rodovias, ferrovias e hidrovias
A necessidade de ampliar a integração entre os modais de transporte e enfrentar os gargalos que afetam o escoamento da produção agrícola no Centro-Oeste marcou o primeiro dia do fórum Centro-Oeste Export, na quinta-feira (26), em Rondonópolis (MT). Representantes do setor produtivo, especialistas e autoridades defenderam investimentos coordenados em rodovias, ferrovias e hidrovias para garantir competitividade à região.
O alto custo do frete, os gargalos no Arco Norte e a falta de infraestrutura adequada nas hidrovias colocam em xeque a competitividade da produção agrícola. A avaliação é de Edeon Vaz Ferreira, presidente do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, durante o painel “Demandas para ampliar a eficiência no transporte de granéis entre áreas de produção e terminais portuários”. Segundo ele, sem planejamento integrado e obras efetivas, a região terá dificuldades crescentes para escoar sua produção.
Edeon apresentou diagnóstico dos principais entraves para movimentar grãos e receber insumos. O escoamento no Brasil é significativamente mais caro que em países concorrentes. “Em Sorriso (MT), o transporte rodoviário até o Porto de Santos custa US$ 103 por tonelada. Pela ferrovia a partir de Rondonópolis, cai para US$ 92. Por Miritituba (PA), via hidrovia, chega a US$ 122. Nos EUA, onde 70% da carga usa hidrovia, o custo pode ser US$ 73 por tonelada”, exemplificou.
O executivo chamou atenção para problemas em corredores logísticos. No Arco Norte, acessos viários não entregues aos terminais da BR-230 provocam filas de caminhões de até 18 km. “A concessionária da BR-63 tem obrigação contratual de entregar os acessos, mas ainda não o fez. Isso gera espera e transtornos.”

Edeon Vaz Ferreira e Rodrigo Vilaça participaram do painel “Demandas para ampliar a eficiência no transporte de granéis entre áreas de produção e terminais portuários”. Foto: Rodolfo Roca
A falta de armazéns em estados como Rondônia faz produtores estocarem grãos em caminhões. Em Rondonópolis, falha no sistema da operadora ferroviária impactou temporariamente o escoamento.
Outro fator crítico é o agravamento das estiagens na Amazônia. Os “verões amazônicos” de 2023 e 2024 reduziram o nível dos rios Tapajós e Madeira, exigindo redução da carga e até suspensão temporária da navegação. “Falta dragagem. O Dnit faz o possível, mas é preciso conceder o serviço hidroviário à iniciativa privada para respostas mais eficientes.”
Ele também apontou limitações no licenciamento ambiental como entrave. “Rodovias existentes exigem licenciamento para obras complementares, como acostamentos. É preciso rever as normas. Só não dá pra mudar a morte, o resto tem que mudar”, afirmou.
Entre avanços, Edeon destacou o início das obras da ferrovia estadual entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, com ramal até Cuiabá, e a construção da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), ligando Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT). O primeiro terminal da linha estadual deve ser inaugurado em agosto de 2026. “A produção cresce, e os desafios para escoar 144 milhões de toneladas de grãos serão maiores. Sem planejamento e obras, continuaremos perdendo competitividade”, concluiu.
O painel contou ainda com Rodrigo Vilaça, sócio da RV Conecta, empresa especializada em integração logística e infraestrutura. “Fica evidente a necessidade de integração entre os modais. O rodoviário com o hidroviário e o ferroviário. Temos que nos perguntar: para que porto queremos ir? A partir disso, planejar os investimentos em ferrovias”, destacou.