Nacional
Memorandos com chineses visam reativar indústria naval
Documentos entre estaleiros dos dois países são assinados no Rio; Petrobras e Transpetro apresentam plano de renovação da frota
Estaleiros brasileiros e chineses assinaram no sábado (5), no Rio de Janeiro, memorandos de entendimento para o desenvolvimento de parcerias tecnológicas e comerciais. O acordo foi firmado durante o Fórum Estratégico para a Indústria Naval Brasil-China, realizado como desdobramento da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em maio do ano passado.
A Petrobras e a Transpetro participaram do encontro para apresentar as projeções de demanda por embarcações e plataformas para os próximos cinco anos. A presença das duas empresas sinaliza uma perspectiva de retomada da atividade no setor naval, com foco na produção nacional.
Do lado chinês, assinam os memorandos empresas como COOEC, CSSC, Cosco e CIMC. Os estaleiros brasileiros envolvidos são EBR, Rio Grande, Mauá e Enseada. Representantes dos grupos estrangeiros estiveram no Brasil durante a semana, visitaram as instalações industriais das empresas nacionais e discutiram possibilidades de colaboração.
O evento reuniu autoridades como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da estatal, Renata Baruzzi, o presidente da Transpetro, Sergio Bacci, além de representantes de outros ministérios, como Portos e Aeroportos, Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Casa Civil.
Durante o fórum, foram detalhados os mecanismos de apoio à indústria naval, como a política de conteúdo local, o Pacote de Incentivos aos Investimentos na Indústria Nacional (PDIC) e o funcionamento do Fundo de Marinha Mercante (FMM).

A Petrobras e a Transpetro participaram do encontro para apresentar as projeções de demanda por embarcações e plataformas para os próximos cinco anos. Foto: Divulgação/Transpetro
As articulações entre os estaleiros dos dois países coincidem com o processo de retomada dos investimentos da Petrobras e da Transpetro em construção naval e offshore, no âmbito do Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras.
“O Programa de Renovação e Ampliação da Frota do Sistema Petrobras assegura ao setor um planejamento de médio e longo prazo, o que vai alavancar a retomada. E a possibilidade de realizar parcerias com os estaleiros chineses, que estão entre os mais desenvolvidos do mundo, permite que a indústria naval brasileira acesse novas tecnologias e, possivelmente, até mesmo novas encomendas, que podem ser compartilhadas com os chineses”, afirmou Sergio Bacci, presidente da Transpetro.
Ele também destacou o contexto internacional: “Esse diálogo também se insere no novo contexto global em que os Estados Unidos estão priorizando a sua indústria local e abrindo espaços para novas parcerias comerciais estratégicas entre outros países, como a China e o Brasil.”
Para a diretora da Petrobras Renata Baruzzi, fortalecer a cadeia produtiva nacional é parte da estratégia do grupo.
“Para nós do Sistema Petrobras, que somos os maiores demandantes dos estaleiros brasileiros e um dos maiores contratantes da indústria naval e offshore mundial, ter um mercado fornecedor nacional fortalecido é fundamental para a implementação eficaz dos nossos projetos. Além disso, apoiar o desenvolvimento de parcerias para a indústria nacional é um dos objetivos de negócio da Petrobras. Sem dúvida, o Brasil sai ganhando com esse diálogo entre os estaleiros dos dois países.”
Novas embarcações
Lançado em junho de 2023, o Programa de Renovação e Ampliação da Frota prevê a contratação de 52 embarcações, com investimentos estimados em até R$ 29 bilhões. A iniciativa inclui navios para a cabotagem, como unidades da classe handy, gaseiros e de médio porte (MR1), que reforçarão a frota da Transpetro. Também estão previstas aquisições de barcos de apoio para a Petrobras.
Além de ampliar a frota própria, o programa busca reduzir a dependência de afretamentos e dar mais flexibilidade e eficiência à logística da companhia. A expectativa é de que sejam criados até 50 mil postos de trabalho diretos e indiretos na cadeia produtiva.