quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Dolar Com.
Euro Com.
Libra Com.
Yuan Com.
BE News
  • Editorias
    • Nacional
    • Região Norte
    • Região Nordeste
    • Região Centro-Oeste
    • Região Sudeste
    • Região Sul
    • Internacional
    • Portugal
    • Expediente
  • Últimas Notícias
  • Colunas
    • HUB
    • BE Job
    • Mundo Corporativo
    • tecnologia & inovação
    • Espaço Abtra
    • Estilo BE
    • Vitrine
  • Opiniões
Olá,
Jornal BE News - Edição de Hoje

Mercosul Export

Entraves jurídicos ainda dificultam avanço da integração no Mercosul

17 de July de 2025 às 18:06
Gabriela Lousada Enviar e-mail para o Autor

Especialistas apontam que a harmonização de normas pode destravar o comércio e ampliar a cooperação entre os países do bloco

A ausência de normas jurídicas comuns entre os países do Mercosul tem sido um dos principais entraves à integração econômica no bloco. As diferenças regulatórias, os conflitos tributários e a falta de alinhamento institucional criam obstáculos concretos para empresas, trabalhadores e governos que tentam operar de forma integrada na região.

O tema foi discutido por especialistas durante o primeiro painel do InfraJur – Encontro de Direito de Logística, Infraestrutura e Transportes, realizado nesta quinta-feira (17), na abertura do Mercosul Export 2025, em Assunção, no Paraguai. O debate reuniu representantes do setor público e da advocacia internacional.

Logo na introdução, o coordenador científico do Conselho Jurídico do Brasil Export, Celso Peel, defendeu que a segurança jurídica é a base para qualquer avanço econômico conjunto. “O Mercosul não é apenas um acordo comercial, mas um pacto histórico da irmandade latino-americana”, disse.

O advogado Fábio Silveira, sócio do Gallotti Advogados e moderador do painel, destacou a importância da modernização regulatória, citando como exemplo o modelo portuário paraguaio. Ele disse que “hoje, cerca de 90% da operação portuária no Paraguai é conduzida pela iniciativa privada. É um contraste com o modelo brasileiro, que é muito mais burocrático”.

Por videoconferência, o vice-presidente do Tribunal Marítimo, Marcelo David Gonçalves, relatou entraves práticos que ainda persistem. “Só não estive presencialmente por causa da falta de harmonização em exigências básicas, como a vacinação contra febre amarela”, afirmou. Gonçalves lembrou que o Mercosul já avançou em mecanismos jurídicos, como os protocolos de Olivos e Buenos Aires, que tratam da solução de controvérsias entre os países e com o setor privado. O Protocolo de Olivos, por exemplo, criou o Tribunal Permanente de Revisão, responsável por garantir uniformidade nas decisões regionais.

O juiz federal Roberto da Silva Oliveira defendeu o fortalecimento do direito comunitário como ferramenta para lidar com conflitos jurídicos dentro do bloco. “Essas discussões são essenciais para identificar problemas e buscar soluções. A construção de consensos precisa ser contínua”. O juiz também comentou diferenças nos modelos de seguridade social da região e como isso pode dificultar uma integração mais ampla.

Atuando no Paraguai, o advogado Jorge Gannoum, assessor internacional da Gobernación de San Pedro, afirmou que o país vizinho tem se destacado pela segurança jurídica. “Isso dá tranquilidade para que empresas brasileiras venham desenvolver projetos por aqui”.

Ao falar sobre integração econômica, o advogado Antonio Cesar Barreiro Mateos reforçou que o tema precisa estar acompanhado de uma base jurídica sólida. “O empresário sempre está à frente, mas o direito precisa correr atrás para garantir sustentação. Ainda temos dificuldades para internacionalizar a seguridade social dentro do Mercosul”, observou. Segundo o advogado, o acordo multilateral em vigor desde 1997 funciona mais como um plano conceitual do que como uma norma efetiva.

Fechando o painel, o procurador da Fazenda Nacional João Augusto de Souza Dias Borgonovi apontou a complexidade tributária como um dos maiores entraves à integração econômica. “Precisamos de mecanismos extrajudiciais e inteligentes para solução de conflitos. Não dá para deixar que questões burocráticas do dia a dia acabem nos tribunais”, disse. Borgonovi também ressaltou o peso da seguridade social sobre os custos das empresas brasileiras. “Isso precisa ser considerado se quisermos uma integração mais simétrica e competitiva”, complementou.

Compartilhe:
TAGS integração jurídica no Mercosul logística Mercosul Export 2025
Baixe nosso aplicativo!
Disponível no Google Play Disponível na Apple Store
Código de Compliance Política de Privacidade Termos de Uso
BE News
Instagram
Facebook
Linkedin
Youtube
Telegram
© 2025 BE News | O conteúdo do Portal BE News é protegido por lei. Qualquer reprodução (total ou parcial), sem a prévia autorização, é proibida.
Desenvolvido por: Logo Mosten