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Lula diz que vai reagir a ameaça de Trump com diplomacia
Presidente classificou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros como “chantagem inaceitável”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que responderá com diplomacia e multilateralismo às ameaças do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 50% a produtos brasileiros nos Estados Unidos, que classificou de “chantagem inaceitável”. A declaração ocorreu na noite dessa quinta-feira, em pronunciamento de Lula em cadeia nacional de rádio e televisão.
Proteção da sociedade
Em sua fala, Lula não citou diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo julgamento foi citado nas cartas recentes de Trump para justificar o tarifaço. Mas o presidente brasileiro disse que as instituições agem para proteger a sociedade da ameaça de discursos de ódio e anticiência difundidos pelas redes digitais. “No Brasil, ninguém — ninguém — está acima da lei”, afirmou. E complementou, dizendo que não pode interferir em decisões de outros poderes. “Contamos com um Poder Judiciário independente. No Brasil, respeitamos o devido processo legal”, destacou.
Casa Branca responde
A Casa Branca respondeu às críticas do presidente Lula ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nessa quinta-feira, disse que Trump “não está tentando ser o imperador do mundo”. A declaração foi feita pela porta-voz do governo, Karoline Leavitt, em resposta à fala de Lula em entrevista à CNN Internacional – quando afirmou que o presidente norte-americano foi eleito para governar os Estados Unidos, e não para governar o mundo, ser o “imperador do mundo”. Na mesma entrevista à rede de TV, o brasileiro afirmou que o País está disposto a negociar com os norte-americanos, mas que o país “não aceitará nada que lhe seja imposto”.
Economia prejudicada
Sobre as taxas de 50% impostas aos produtos brasileiros, Karoline respondeu que as regulações digitais, a ausência de proteção da propriedade intelectual e as regras ambientais brasileiras têm prejudicado empresas e o agronegócio dos Estados Unidos.
Impactos na Embraer
Terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus, a Embraer estima que o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil poderá causar um impacto na companhia similar ao da pandemia de covid-19. Na época, a companhia teve cerca de 30% de queda de receita e precisou reduzir em torno de 20% o quadro de funcionários.
Cancelamentos
Segundo a Embraer, o tarifaço deverá elevar o preço de cada avião vendido aos EUA em cerca de R$ 50 milhões. Considerando o período até 2030, o impacto poderá significar R$ 20 bilhões em tarifas. De acordo com o diretor executivo da companhia (CEO), Francisco Gomes Neto, a alteração nos preços das aeronaves deverá gerar cancelamento de pedidos, postergação de entregas, revisão do plano de produção, queda de geração de caixa, e redução de investimentos.