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Opinião

Editorial

Da Redação

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Desconexão entre promessas e a prática

A voz do secretário-geral da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), Sergio Abreu, durante a abertura do Mercosul Export 2025 em Assunção, no Paraguai, nessa quinta-feira, dia 18, ecoou um diagnóstico preciso e urgente para os países do bloco econômico: a desconexão entre a ambição política e a capacidade de execução no que tange à integração regional. A afirmação de que o setor privado é o único capaz de transformar em realidade os tratados e declarações políticas, como o da hidrovia Paraná-Paraguai, ressalta um gargalo crônico que compromete a relevância do continente em um cenário global cada vez mais acirrado.

Abreu, com a experiência de quem assinou inúmeros tratados ao longo de sua carreira diplomática, defendeu uma premissa inegável: “sem investimento não há comércio. E sem comércio, não há trabalho nem paz social”. Essa verdade elementar sublinha o papel insubstituível do setor privado, que detém a capacidade de injetar capital e dinamismo para concretizar as intenções políticas. A crítica à lentidão da vontade política em acompanhar a velocidade do setor privado, alertando que essa defasagem pode condenar a região à irrelevância, é um chamado à ação para os governos.

A importância da integração entre os países do Mercosul, principalmente através da infraestrutura de transportes, é um tema recorrente e, ao mesmo tempo, um desafio persistente. A conectividade é, hoje, uma exigência inquestionável para o setor produtivo, que busca rotas mais eficientes e competitivas para escoar sua produção e receber insumos. A ausência de respostas à altura das demandas logísticas regionais limita o potencial de crescimento e a participação da América do Sul no comércio global.

O exemplo da Hidrovia Paraguai-Paraná, cujo tratado foi assinado há mais de três décadas sem que os avanços concretos esperados se materializassem, é emblemático da desconexão entre o discurso e a prática. Em contraste, a Hidrovia do Reno, na Europa, serve como um modelo de como a vontade política, impulsionada pelas necessidades do setor privado, pode transformar projetos de infraestrutura em eixos de desenvolvimento econômico.

Para que a América do Sul e, em especial, o Mercosul possam de fato alavancar seu potencial econômico e logístico, é imperativo cobrar dos governos essa integração, especialmente no segmento hidroviário. As hidrovias representam um modal de transporte de baixo custo e alta capacidade, ideal para o escoamento de commodities e o fomento ao comércio intrarregional. A falta de investimentos e de coordenação política para o desenvolvimento e a manutenção desses corredores fluviais é um obstáculo que precisa ser superado com urgência.

A maior sintonia entre governos e empresários, como reiterado por Abreu, é a chave para viabilizar os projetos de integração física e comercial no Cone Sul. A vontade política deve ser traduzida em ações concretas que desburocratizem, atraiam investimentos e garantam a segurança jurídica para que o setor privado possa, de fato, ser o motor da transformação. Somente assim a região poderá sair do campo das declarações e tratados e concretizar uma integração que a posicione de forma competitiva e relevante no tabuleiro geopolítico e econômico mundial.

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