Mercosul Export
Embaixador vê atraso histórico na falta de conexão entre os oceanos
Durante abertura o Mercosul Export, em Assunção, José Antônio Marcondes afirmou que o Corredor Bioceânico “já deveria estar pronto há décadas”
O embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes, classificou como um atraso histórico o fato de a América do Sul ainda não dispor de uma ligação terrestre eficaz entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Em discurso durante a sessão solene que abriu oficialmente o Mercosul Export, na quinta-feira (17), em Assunção, ele destacou a relevância do Corredor Bioceânico — rota rodoviária internacional que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — e afirmou que a obra “seguramente já deveria estar pronta há décadas”.
“O Corredor Bioceânico unirá dois oceanos. Enquanto isso, em outros continentes — refiro-me à América do Norte, por exemplo — a conexão de um lado ao outro já aconteceu há séculos. Nós estamos agora, no século 20, fazendo essa conexão”, disse Marcondes. “Estamos atrasados, mas felizmente estamos tentando preencher esse vazio deixado pela história.”
Em fase avançada de execução nos quatro países, o corredor, também conhecido como Rota Bioceânica, terá cerca de 2.300 quilômetros de extensão, com origem no porto de Santos (SP), passando por Mato Grosso do Sul e Paraguai, cruzando o norte da Argentina até chegar ao porto de Antofagasta, no Chile. Para o embaixador brasileiro, trata-se de mais do que um projeto de infraestrutura: é uma peça-chave para integração regional. “Estaremos muito mais do que unindo dois oceanos: estaremos criando uma zona de integração.”
Segundo ele, o traçado do corredor passará por uma das áreas mais promissoras da América do Sul. “Muito possivelmente, esse Corredor Bioceânico atravessará a última fronteira agrícola no continente. O Chaco (no Paraguai) é uma fronteira ainda inexplorada, e o potencial que ela tem certamente será ainda maior, o que demandará maior necessidade de transporte, logística e atuação das empresas de vocês”, disse o diplomata.
José Antônio Marcondes também fez referência à hidrovia Paraguai-Paraná como um ativo natural a ser preservado. Segundo ele, assim como o Corredor Bioceânico, a hidrovia representa uma infraestrutura estratégica de conexão entre os países do Mercosul. “É uma obra da natureza que nos compete manter em dia, fazer os ajustes necessários e termos a sabedoria de transformá-la naquilo que ela está destinada a executar: unir-nos numa lógica de transporte, conexão e infraestrutura absolutamente singular.”