Mercosul Export
Conectividade e setor privado são chaves para integração
Patricia Frutos defende fortalecimento das cadeias produtivas regionais e maior previsibilidade logística no Mercosul
A vice-ministra de Relações Econômicas e Integração do Paraguai, Patricia Frutos, ressaltou a conectividade como elemento essencial para consolidar a integração regional durante a sessão solene do Mercosul Export, realizada em Assunção na quinta-feira (17), sob organização do Grupo Brasil Export.
Patricia afirmou que o Brasil, além de principal parceiro comercial do Paraguai, atua como parceiro em temas logísticos, energéticos e políticos. “Compartilhamos rotas, pontes, corredores, inversões estratégicas e vários desafios comuns. Nossa relação bilateral se baseia em uma busca de prosperidade compartilhada.”
A vice-ministra enalteceu o papel do Paraguai em setores industriais voltados ao regime de maquila — modelo que permite a empresas estrangeiras produzir no país com isenção ou redução de tributos sobre a importação de insumos e a exportação de produtos finais. Destacou a presença de empresas brasileiras em áreas como confecções, plásticos e autopeças, afirmando que esses investimentos complementam as cadeias produtivas locais e contribuem para aumentar a competitividade regional. Segundo ela, “é necessário avançar em projetos que integrem cadeias de valor”, abrangendo integração física, sustentabilidade, investimento privado, transporte, harmonização normativa e cooperação internacional.
Patricia observou que os países da região enfrentam assimetrias econômicas e geográficas, e que a conectividade pode ser uma resposta para garantir que regiões afastadas dos grandes centros tenham participação nos benefícios do comércio intrarregional. “Hoje já não são as tarifas o maior obstáculo. Mas sim a falta de previsibilidade nos prazos de chegada dos produtos ao destino”, disse, ao enfatizar os desafios logísticos.
A vice-ministra destacou ainda que o Paraguai projeta um crescimento econômico acima de 4% em 2025, sustentado por energia limpa, estabilidade monetária, baixa carga fiscal e ambiente regulatório transparente. Fatores que, segundo ela, representam vantagens comparativas em relação a outros países da região.
Hidrovia e corredor
No campo da infraestrutura logística, Frutos ressaltou o potencial da hidrovia Paraguai-Paraná, parte do sistema fluvial mais extenso da América do Sul, como rota estratégica para reduzir custos e tempos de transporte entre o interior do continente e o oceano Atlântico. Ela também citou a obra do Corredor Bioceânico, com 2.396 km, conectando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e prometendo reduzir em até 14 dias o tempo logístico rumo ao Pacífico.
Ela mencionou ainda um dos principais empreendimentos do corredor: a Ponte Bioceânica, que liga a cidade paraguaia de Carmelo Peralta a Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, já com 70% de execução. A vice-ministra destacou o avanço das obras do lado paraguaio e disse que agilizar o tráfego fronteiriço é essencial para gerar mais confiança e fluidez no processo de integração.
“Acredito que um dos grandes desafios do Mercosul, 33 anos depois de sua criação, é que ainda haja postos de fronteira onde a travessia demore sete horas ou mais. Se conseguirmos agilizar isso, teremos um trânsito muito mais fluido, o que geraria mais confiança no processo de integração.”
Patricia Frutos também destacou o crescimento do turismo no Paraguai. No primeiro trimestre de 2025, o país registrou alta de 53% na chegada de visitantes internacionais, impulsionado por sua diversidade natural, cultural e gastronômica. Ela citou o papel do Aeroporto Silvio Pettirossi, o mais movimentado do país, localizado na cidade de Luque, que já opera voos regulares da Azul para Florianópolis (SC) e Recife (PE), e mencionou a possibilidade de retomar a rota direta a Brasília (DF) como forma de ampliar a conexão com o Brasil, especialmente com Assunção.
Ela encerrou sua participação agradecendo os organizadores e defendendo um compromisso renovado com a conectividade como estratégia política e técnica, afirmando que a integração regional não deve ser motivo de receio, mas sim de oportunidades concretas para países como o Paraguai e seus vizinhos.