Uma maior presença feminina no setor portuário
O Brasil Terminal Portuário (BTP), que opera um dos principais terminais de contêineres do Porto de Santos (SP), alcançou um marco inédito no cenário nacional, tornando-se a primeira instalação marítima a garantir, no mínimo, uma mulher operadora de bordo por turno de trabalho. Essa conquista histórica no complexo santista, onde a atividade era até recentemente exclusiva para homens, sinaliza uma transformação significativa no setor e um avanço notável na equidade de gênero.
O feito foi possível graças à formação das primeiras 13 estivadoras pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) de Santos em junho, das quais nove foram contratadas pela BTP. A função de operadora de bordo, que exige preparo físico e técnico para atividades essenciais como a peação e despeação de cargas, demonstra que a capacidade e a qualificação são os pilares para a ocupação dessas posições.
A expansão do quadro de operadores do BTP, impulsionada pela chegada de dois novos portêineres e um ciclo de crescimento com investimentos previstos de R$ 2 bilhões, alinha-se à visão de futuro da companhia. Claudio Oliveira, diretor-executivo do BTP, expressou seu orgulho ao ver a transformação acontecer, com o protagonismo feminino em áreas técnicas que antes eram majoritariamente masculinas. A presença de 56% de mulheres em cargos de liderança no BTP já demonstrava um compromisso com a diversidade, agora estendido ao cerne da operação portuária.
A importância do aumento da participação feminina no BTP e, por consequência, no setor portuário, é um testemunho inequívoco de que a indústria permite uma maior equidade de gênero. A diversidade, como afirma Claudio Scalise, gerente de Recursos Humanos do BTP, fortalece a operação, tornando o ambiente mais inovador e representativo. Programas como o BTP Com Elas, que oferece capacitação e apoio à empregabilidade feminina, são exemplos de ações concretas que impulsionam essa mudança.
Atualmente, mais de 200 mulheres integram o quadro de colaboradores diretos do BTP, com cerca de metade delas atuando em operações, desde o controle de acesso até a condução de equipamentos de grande porte. Essa ampliação da presença feminina não é apenas uma questão de justiça social, mas também um diferencial competitivo. Empresas com maior diversidade tendem a ser mais inovadoras, eficientes e rentáveis. Assim, o setor portuário, tradicionalmente masculino, tem a oportunidade de se reinventar, atraindo talentos de todos os gêneros e construindo um futuro mais inclusivo e próspero.