Região Sul
Porto de Paranaguá apoia combate à exploração infantil
Parceria com a Childhood Brasil coleta dados com caminhoneiros para fortalecer ações de enfrentamento nas áreas portuárias
Psicólogos da organização Childhood Brasil, referência no enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, entrevistaram caminhoneiros no Porto de Paranaguá. Os dados coletados por meio dos questionários serão utilizados para orientar os próximos cinco anos do programa Na Mão Certa.
A Portos do Paraná recebeu a equipe da Childhood Brasil no Pátio de Triagem, no último domingo (20). As entrevistas, também realizadas em outras empresas, foram concluídas na terça-feira (22). A aplicação da pesquisa seguirá em outras regiões do país nos próximos meses.
“A Portos do Paraná está contribuindo com a pesquisa e com outras ações que visam combater a exploração sexual infantil. Entendemos que os caminhoneiros podem ser grandes aliados dessas iniciativas, ao divulgarem campanhas e denunciarem situações de risco”, afirmou o diretor-presidente da empresa pública, Luiz Fernando Garcia.
O estudo está sendo conduzido por pesquisadores da Universidade de Aracaju, com o objetivo de atualizar o perfil dos caminhoneiros brasileiros. As informações obtidas serão utilizadas como base para a produção de materiais educativos, cartilhas e treinamentos. Nesta edição, a meta é ouvir mil motoristas em diferentes regiões do país.
“A participação da Autoridade Portuária no projeto foi um marco para nós, porque atrai outras empresas interessadas e possibilita nossa entrada em um território que consideramos vulnerável: as áreas portuárias brasileiras”, destacou Élder Cerqueira Santos, coordenador da pesquisa e consultor da Childhood Brasil há 20 anos.
Evolução dos dados
A primeira edição da pesquisa revelou que 36% dos motoristas entrevistados afirmaram ter realizado sexo pago com crianças e adolescentes. Nas edições seguintes, houve queda gradativa. No último levantamento, realizado após a pandemia, esse índice caiu para 12%.
Segundo os pesquisadores, a redução está relacionada a mudanças sociais e ações promovidas por empresas em suas cadeias logísticas.
“Uma empresa que atua aqui no Porto de Paranaguá, por exemplo, adotou estratégias para reduzir o tempo ocioso dos motoristas, como a aceleração dos processos de carga e descarga. Também houve mudança na forma de contratação, migrando de terceirizada para CLT, o que reduziu a rotatividade nas rotas”, explicou Élder.
O programa atua em duas frentes: coleta de dados e conscientização. A ideia é que os motoristas se tornem agentes de proteção.
Como funciona a pesquisa
A técnica utilizada é chamada de “bola de neve”, em que os pesquisadores abordam um motorista por vez, de maneira informal, respeitosa e confidencial. As perguntas abordam desde questões sobre o cotidiano até temas mais delicados.
“Nosso papel é fazer com que os participantes se sintam seguros para responder com sinceridade. Por isso, explicamos claramente o objetivo e a importância da pesquisa”, explicou o pesquisador Hênio Rodrigues.
Após a análise dos dados, a Childhood Brasil divulga um relatório público com os resultados. Informações extraídas dos levantamentos anteriores já são utilizadas por órgãos como a Polícia Rodoviária Federal e o Ministério dos Transportes, auxiliando na definição de políticas públicas e melhorias para a categoria.
Coalizão em Paranaguá
Além de ser signatária do Pacto Empresarial contra a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que integra o programa Na Mão Certa, a Portos do Paraná também aderiu à Coalizão Paranaguá. A iniciativa, em parceria com a Prefeitura Municipal, reúne mais de 15 empresas comprometidas com o enfrentamento desse tipo de violência.
Confira as empresas e entidades participantes da Coalizão:
Budel Transportes LTDA
Cargill Agrícola S.A
Cattalini Terminais Marítimos S/A
Coopercarga S.A
EPR Litoral Pioneiro S/A
Klabin S.A
Liquiexpress Transportes Rodoviários LTDA
Louis Dreyfus Company Brasil S.A
Maersk Logistics e Services Brasil LTDA
Multilog S.A
Rocha Terminais Portuários e Logística S.A
Rumo
Sest Senat – Unidade Paranaguá
Tegma Gestão Logística S/A
Yara Brasil Fertilizantes S/A
Cenário nacional
Em 2023, o Brasil registrou 115.384 casos de violência física, psicológica, sexual ou negligência contra crianças e adolescentes de até 19 anos — o equivalente a 13 vítimas por hora. Os dados constam no Atlas da Violência 2025, divulgado este mês pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.