Logística inteligente: por que terceirizar ativos é uma estratégia de crescimento para as empresas?
Por Fábio Siccherino
Em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico, a logística deixou de ser uma função operacional para se tornar um diferencial competitivo. A transformação digital, a globalização das cadeias de suprimentos e a crescente exigência por entregas rápidas e precisas tornaram a eficiência logística essencial para a competitividade das empresas.
De acordo com o estudo State of Logistics 2025¹, a gestão de estoque e armazéns é um dos principais desafios para 21,5% das empresas. Nesse cenário, a terceirização logística, tem se consolidado como uma solução inteligente para empresas que buscam agilidade, redução de custos e excelência na experiência do cliente. Se por um lado, apenas 37% das empresas terceirizam a armazenagem de cargas no Brasil² em 2024, do outro, a taxa de ocupação dos galpões logísticos no Brasil chegou a 91,6%, o maior índice dos últimos anos, segundo a JLL³, consultoria imobiliária global, refletindo a transformação do conceito de galpão: de simples espaço de armazenagem para plataforma logística estratégica.
Para atender às demandas de um mercado volátil e cada vez mais exigente, os armazéns multiclientes têm ganhado destaque como uma solução para viabilizar operações escaláveis. Ao reunir diferentes empresas e produtos sob o mesmo teto, esse modelo permite o compartilhamento de infraestrutura, tecnologia e equipes especializadas, sem comprometer a qualidade dos serviços. Trata-se da aplicação dos princípios da economia compartilhada à logística: diluir investimentos, otimizar recursos e responder com flexibilidade às oscilações da demanda, como variações sazonais ou picos inesperados.
O modelo multicliente também favorece a inovação e democratiza o acesso à modernização logística. Tecnologias como automação e sistemas avançados de gestão tornam-se mais acessíveis a empresas de diferentes portes, já que, em um ambiente compartilhado, o custo de implementação é dividido.
Outro diferencial desse modelo é a flexibilidade operacional. Ele permite ajustar a capacidade conforme a necessidade, integrar plataformas sob demanda e acelerar a entrada em novos mercados sem grandes investimentos iniciais. Com isso, as empresas conseguem escalar seus negócios de forma eficiente e resiliente.
O mercado global de armazenagem e distribuição, avaliado em US$ 13,5 trilhões em 2023, deve ultrapassar os US$ 25 trilhões até 2032, segundo a Global Market Insights⁴. Esse crescimento reforça o papel central da logística na economia mundial e a importância de adotar modelos mais inteligentes e escaláveis.
Apesar de 97% das empresas reconhecerem a logística como crítica para o sucesso de seus negócios, apenas metade enxerga os operadores logísticos como parceiros estratégicos¹. Essa visão precisa evoluir. A terceirização logística, quando bem estruturada e alinhada aos objetivos da empresa, não representa um gasto adicional, mas sim um investimento. Ela permite, ainda, que as empresas se concentrem em suas competências essenciais, ao mesmo tempo em que contam com especialistas para lidar com os desafios complexos da cadeia de suprimentos.
A DP World, por exemplo, apostou recentemente neste segmento após a aquisição da empresa Syncreon, em 2021. Hoje, já são mais de 300 armazéns integrados, atendendo as maiores marcas globais, incluindo mais de 10 das 15 maiores montadoras, além de cinco das 10 maiores empresas de tecnologia do mundo. Anualmente, o grupo executa a logística de mais de 250 milhões de produtos de tecnologia voltados ao consumidor final e, por meio destas instalações, apoia na produção de mais de 3 milhões de novos veículos por ano.
No Brasil, o modelo de armazém multicliente já está sendo avaliado pelo Grupo DP World para ser implementado como uma opção flexível e dinâmica, uma vez que o país possui dimensões continentais e grande potencial econômico para o desenvolvimento deste tipo de operação.
Independentemente do modelo adotado – multicliente, dedicado ou sob demanda – o mais importante é encarar a logística como parte integrante da estratégia de crescimento. Ao escolher parceiros com expertise, infraestrutura e visão de longo prazo, as empresas não apenas ganham em agilidade e controle, mas também constroem uma base sólida para um futuro mais competitivo.
*Fábio Siccherino é CEO da DP World no Brasil e professor de MBA em Logística e Supply Chain Management na Fundação Getúlio Vargas (FGV).
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¹ State of Logistics 2025, elaborado pela SimpliRoute
² ILOS – Descarbonização da logística nas empresas do Brasil, 2024
³ JJL – First Look, Mercado industrial e logístico no Brasil | 4T2024
⁴ Global Market Insights, Warehousing and Distribution Logistics Market Size, Agosto de 2024