Mercosul Export
Tecon Santa Clara vira referência em logística fluvial no Sul
Estrutura intermodal encurta distâncias e reforça uso da hidrovia para o desenvolvimento regional
A apresentação de abertura do painel “Hidrovia como vetor de desenvolvimento e as boas práticas aplicadas no cone sul do Brasil”, durante o Mercosul Export 2025, trouxe à tona um exemplo concreto de como a navegação interior tem se consolidado como alternativa moderna, eficiente e sustentável no Sul do país. O diretor-presidente do Tecon Rio Grande (RS), Paulo Bertinetti, compartilhou os resultados do projeto do Tecon Santa Clara, terminal intermodal fluvial que conecta o polo petroquímico gaúcho ao Porto de Rio Grande.
Instalado no centro da zona produtora do estado, o Tecon opera com 12 embarcações que realizam duas viagens semanais entre Santa Clara e Rio Grande. O terminal nasceu há mais de uma década a partir de uma parceria com a Braskem, com apoio da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e deve fechar 2025 com cerca de 50 mil contêineres transportados por hidrovia, reduzindo em até 400 km o trajeto rodoviário de cargas.
“É a modernidade que chegou, e nós já fazíamos isso há 10 anos, por obrigação”, afirmou Bertinetti, ressaltando que a carga já sai do polo com prazo cumprido para navegação de longo curso, otimizando o fluxo de exportações. A iniciativa gerou certificações ambientais auditadas pela SGS (Société Générale de Surveillance), entidade internacional que calcula e atesta a redução de emissões da operação, permitindo que os embarcadores utilizem o benefício como diferencial competitivo no exterior.
A operação conta com equipamentos elétricos, energia 100% renovável e uma estrutura logística integrada, incluindo balanças, 56 tomadas para contêineres refrigerados, tratores de pátio e área de armazenagem próxima à produção agrícola. “A exemplo do que vemos no Paraguai, temos plantação de arroz praticamente dentro do terminal”, comentou o executivo.
Com calado natural de 15 metros no Porto de Rio Grande, o sistema intermodal se tornou estratégico para manter e fidelizar a carga gaúcha, que antes escoava por portos de Santa Catarina. “A hidrovia foi a solução para levar o porto até a produção”, disse Bertinetti. Ele destacou ainda que a conexão fluvial fortalece a integração com o Mercosul, por meio de parcerias com armadores internacionais e serviços feeder que conectam Rosário, Assunção, Buenos Aires, Montevidéu e Rio Grande.
Segundo ele, enquanto outros estados ainda enfrentam barreiras tributárias e dificuldades de acesso, o Rio Grande do Sul aposta na inovação logística para atrair investimentos e promover desenvolvimento regional. “Estamos fazendo mais do que os estados. Estamos fazendo sinalização, calado, sustentabilidade.”