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Brasil negocia com EUA para evitar tarifa de 50%
Alckmin afirma que plano de contingência está em elaboração, mas prioridade é tentar acordo comercial até o prazo final
A poucos dias da entrada em vigor da tarifa de 50% para produtos brasileiros nos Estados Unidos, que passará a valer na próxima sexta-feira, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou que o Brasil está conversando “com reservas” com o governo estadunidense. Ele reafirmou que um plano de contingência está em elaboração, mas disse que o foco nesta semana está nas negociações comerciais.
Prioridade para o diálogo
“Nós estamos permanentemente no diálogo e quero dizer a vocês que nós estamos dialogando neste momento pelos canais institucionais e com reserva”, afirmou Alckmin nessa segunda-feira, em entrevista após o lançamento do Programa Acredita Exportação. Ele não deu detalhes sobre as conversas com os Estados Unidos nem sobre o plano de contingência em elaboração para ajudar os setores afetados pela taxação. “O plano de contingência está sendo elaborado, bastante completo, bem feito”, limitou-se a dizer.
Vitória de Trump
Nos últimos dias, os Estados Unidos têm conseguido fechar acordos comerciais, como os firmados com União Europeia (UE), Japão, Reino Unido e Indonésia, além de Vietnã e Filipinas, marcados por uma peculiar “assimetria”, segundo especialistas. De um lado, Washington elevou as tarifas de importação em índices entre 10% e 20%, do outro, os países abriram mão de retaliar com tarifas recíprocas, abrindo mercados para os produtos norte-americanos. Claramente, uma vitória da política comercial da Casa Branca.
Impacto interno
A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) teme que o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, que entrará em vigor na sexta-feira, dia 1º, vai encarecer a alimentação em restaurantes, bares e lanchonetes. A entidade considera que a maior carga tributária irá pressionar o mercado interno sobre produtos de destaque na exportação brasileira, como café, carnes, pescados e suco de laranja.
Café e carnes
Em nota, a Federação destacou que eEstes alimentos terão toda a cadeia produtiva impactada. O café, por exemplo, pode perder até 30% da sua produção em exportação, o que acarretaria num aumento de até 6% no preço interno. Num possível cenário de recessão econômica, carnes (bovina e suína) e pescados também deverão ter os preços reajustados ao mercado interno para cobrir custos de produção”.